Assim como a rocha permanece firme diante dos ventos, você pode aprender a permanecer sereno diante das opiniões alheias.
A crítica não precisa diminuir você, assim como o elogio não precisa alimentar seu orgulho.
Observe o que acontece em sua mente quando é aprovado ou rejeitado.
A verdadeira firmeza nasce quando você deixa de depender do olhar dos outros.
INTRODUÇÃO AO TEMADeite-se confortavelmente e permita que o corpo descanse.
Observe como você se sente neste momento.
Talvez exista alguma lembrança recente de uma conversa, de um comentário ou de uma situação na qual você tenha se sentido reconhecido ou criticado.
Não procure afastar essas lembranças.
Apenas perceba.
É interessante observar como algumas palavras podem permanecer conosco durante muito tempo.
Um elogio pode nos deixar satisfeitos durante horas. Uma crítica pode continuar ocupando nossos pensamentos mesmo depois que a situação terminou.
Às vezes, uma única opinião é suficiente para modificar nosso humor, nossa confiança e até a maneira como enxergamos a nós mesmos.
Mas por que isso acontece?
Por que entregamos tanto poder às palavras de outras pessoas?
Hoje, vamos contemplar uma questão delicada: como escutar o que os outros dizem sem permitir que cada opinião determine nosso estado interior?
ENSINAMENTO
O verso de hoje apresenta uma imagem muito simples e, ao mesmo tempo, profundamente significativa.
Uma rocha sólida permanece diante do vento.
O vento pode soprar com intensidade. Pode movimentar folhas, levantar poeira e modificar a paisagem.
Mas não consegue deslocar uma grande rocha.
O Buda utiliza essa imagem para falar da estabilidade do sábio diante da crítica e do elogio.
Observe que o verso não está dizendo que o sábio não escuta, não sente ou não se importa com aquilo que acontece ao seu redor.
Está apontando para outra coisa.
Uma pessoa pode ouvir uma crítica sem se sentir destruída por ela.
Pode receber um elogio sem se tornar dependente daquela aprovação.
E isso exige uma compreensão importante.
Quando alguém elogia você, o que acontece?
Talvez você se sinta valorizado. Talvez experimente satisfação, alegria ou orgulho.
Nada disso precisa ser rejeitado.
O problema começa quando você passa a necessitar desse reconhecimento para sentir que tem valor.
Da mesma maneira, quando alguém critica você, pode surgir desconforto, irritação ou tristeza.
Mas uma crítica não define integralmente quem você é.
Ela representa uma avaliação de alguém, feita a partir de determinada experiência, compreensão e perspectiva.
Às vezes, essa avaliação contém algo verdadeiro que você precisa reconhecer.
Em outras ocasiões, revela muito mais sobre a percepção de quem está falando do que sobre você.
Por isso, a questão não é aceitar todas as críticas nem rejeitar todos os elogios.
É aprender a escutar sem reagir automaticamente.
Imagine que alguém faça uma observação sobre seu comportamento.
Em vez de responder imediatamente, você pode perguntar a si mesmo:
Existe alguma verdade no que estou ouvindo?
Há algo que eu ainda não tinha percebido?
Ou estou simplesmente me sentindo ameaçado porque minha imagem foi questionada?
Essa pequena investigação modifica a maneira como você se relaciona com as palavras.
O mesmo acontece com os elogios.
Quando alguém reconhece seu trabalho, sua capacidade ou alguma qualidade sua, você pode receber esse reconhecimento com gratidão.
Mas não precisa construir sua identidade em torno dele.
Amanhã, alguém poderá pensar de maneira diferente.
E você continuará sendo responsável por suas escolhas.
Existe uma diferença entre conhecer seu próprio valor e precisar que outras pessoas confirmem esse valor constantemente.
A primeira condição favorece a estabilidade.
A segunda mantém você dependente de avaliações que não pode controlar.
A rocha apresentada pelo verso não representa uma pessoa endurecida, incapaz de ouvir ou aprender.
Representa alguém que possui uma referência interior suficientemente estável para não ser conduzido por cada manifestação de aprovação ou desaprovação.
Talvez seja justamente isso que você precise investigar.
Quanto da sua tranquilidade depende de ser compreendido, reconhecido ou aprovado?
E quanto da sua inquietação nasce da preocupação com aquilo que alguém poderá pensar a seu respeito?
O ensinamento de hoje convida você a desenvolver uma relação mais livre com a opinião alheia.
Escutar, compreender, avaliar e, quando necessário, modificar suas atitudes.
Mas sem transformar cada palavra recebida em uma sentença sobre quem você é.
A opinião dos outros pode oferecer informações sobre você, mas não precisa determinar a maneira como você vive.
HARMONIZAÇÃO
Procure perceber como você se relaciona com aquilo que vem de fora.
Às vezes, uma palavra nos agrada e imediatamente nos sentimos valorizados. Em outras ocasiões, uma observação nos incomoda e passamos a carregar aquele desconforto por muito tempo.
Observe se você costuma entregar às palavras dos outros o poder de modificar sua tranquilidade.
Não é necessário deixar de sentir, nem se tornar indiferente.
Experimente apenas criar um pouco mais de espaço entre aquilo que acontece e a maneira como você responde.
Que seu corpo encontre estabilidade e sua mente desenvolva serenidade para escutar, compreender e seguir seu próprio caminho.
PRECE
Que eu desenvolva serenidade diante das palavras que recebo.
Que eu tenha humildade para reconhecer uma crítica justa e discernimento para não carregar julgamentos que não me pertencem.
Que o reconhecimento não alimente minha vaidade e a desaprovação não destrua minha confiança.
Que eu aprenda a escutar sem me tornar dependente da aprovação alheia.
SAMĀDHI
TREINAMENTO DA MENTE
ĀNAPANA-SATI - Atenção à respiração
Observe o ar entrando e saindo pelas narinas.
Perceba a respiração sem interferir em seu ritmo.
Quando surgir um pensamento, reconheça sua presença.
Não procure desenvolvê-lo nem afastá-lo.
Retorne à respiração.
Observe que você pode perceber um pensamento sem precisar acompanhá-lo.
Faça o mesmo quando surgir uma lembrança agradável ou desagradável.
Apenas reconheça e retorne.
FRASE-SEMENTE
"Minha serenidade não precisa depender da aprovação de ninguém."
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
Você pode escutar, aprender e reconhecer seus erros sem permitir que a avaliação dos outros determine seu equilíbrio interior.
MEDITAÇÃO / BHAVANA
Traga à lembrança uma situação recente em que alguém tenha criticado você.
Não procure justificar sua atitude.
Observe simplesmente o que aconteceu dentro de você.
Que sentimento surgiu?
Irritação? Vergonha? Tristeza? Necessidade de se defender?
Agora imagine que você pudesse retornar àquela situação.
Desta vez, antes de responder, faça uma pausa.
Escute o que está sendo dito.
Procure separar o conteúdo da crítica da maneira como ela foi apresentada.
Existe algo que você possa aprender?
Existe algo que não precisa carregar?
Agora lembre-se de uma ocasião em que recebeu um elogio.
Observe como se sentiu.
Perceba se surgiu satisfação ou se apareceu também a necessidade de continuar recebendo aquele reconhecimento.
Não existe necessidade de condenar nenhuma dessas experiências.
O importante é começar a reconhecê-las.
Imagine agora uma rocha diante de um vento forte.
O vento passa.
A rocha permanece.
Você também pode aprender a escutar as palavras, compreender seu significado e escolher sua resposta sem perder sua referência interior.
Permaneça alguns instantes contemplando essa possibilidade.
RELAXAMENTO
Permita que o corpo descanse.
Observe o contato com o chão.
Relaxe os pés, as pernas, a pelve, o abdômen e o peito.
Solte os ombros.
Relaxe os braços, as mãos, o pescoço e o rosto.
Agora, imagine novamente a rocha apresentada pelo verso.
Uma rocha permanece diante do vento.
Não porque seja insensível ao ambiente, mas porque possui uma estabilidade que não depende do movimento das coisas ao seu redor.
Traga agora sua atenção para a própria vida.
Quantas vezes você modificou seu estado de espírito por causa de uma palavra?
Quantas vezes ficou pensando no que alguém disse?
Quantas vezes procurou reconhecimento para sentir que estava fazendo algo importante?
Observe essas experiências sem julgamento.
Talvez você perceba que ainda existe uma grande necessidade de ser compreendido, aceito e reconhecido.
Não precisa combater essa necessidade.
Apenas comece a conhecê-la.
Aos poucos, você pode descobrir que não precisa responder a todas as opiniões, justificar todas as escolhas ou conquistar a aprovação de todas as pessoas.
Existe uma liberdade possível nessa compreensão.
Você pode ouvir sem se submeter.
Pode discordar sem hostilidade.
Pode reconhecer um erro sem se diminuir.
Pode receber um elogio sem se tornar dependente dele.
Deixe essas possibilidades amadurecerem em silêncio.
MENSAGEM FINAL
Hoje você contemplou sua relação com a crítica e o elogio.
Talvez tenha percebido que algumas palavras continuam exercendo uma influência muito grande sobre sua maneira de sentir e agir.
O verso 81 apresenta uma possibilidade diferente.
Você pode aprender a ouvir sem se perder na opinião dos outros.
Pode reconhecer quando alguém tem razão e modificar suas atitudes.
Também pode compreender que nem toda desaprovação merece ocupar espaço em sua mente.
A estabilidade interior não nasce da necessidade de estar sempre certo, ser admirado ou receber reconhecimento.
Nasce da capacidade de viver com discernimento, conhecendo suas escolhas e assumindo a responsabilidade por elas.
Não entregue às palavras dos outros o poder de determinar sua tranquilidade.
Junte as mãos diante do peito.
Reconheça o valor deste momento e a oportunidade de continuar aprendendo.
Namastê.
EXERCÍCIO PARA A SEMANA
Crítica e elogio: observar sem se perturbar
Durante a semana, observe:
Diante da crítica
•Escuto ou me defendo?
•Existe algo que posso aprender?
Diante do elogio
•Agradeço ou busco mais aprovação?
•Dependo do reconhecimento dos outros?
Não julgue suas reações. Apenas observe.
