Antes de agir, observe a intenção que nasce em sua mente e imagine os frutos que ela poderá produzir.
Minhas escolhas de hoje me trarão arrependimento ou serenidade?
A sabedoria começa quando aprendemos a reconhecer, em nossas próprias ações, as sementes daquilo que iremos colher.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Feche os olhos.
Sinta o corpo apoiado no chão.
Perceba a respiração.
Agora pense em uma coisa simples que você fez hoje.
Pode ter sido preparar alguma coisa.
Conversar com alguém.
Ensinar.
Cuidar.
Ou simplesmente fazer uma tarefa cotidiana.
Perceba que toda ação tem uma maneira de ser realizada.
Podemos fazer com pressa.
Com atenção.
Com irritação.
Com cuidado.
Com presença.
A ação pode ser a mesma.
Mas a maneira de realizá-la pode ser completamente diferente.
Hoje vamos olhar para isso.
Não apenas:
“O que estou fazendo?”
Mas:
“Como estou fazendo?”
ENSINAMENTO
Os dois versos de hoje falam de uma ação bem feita e de uma ação da qual nos arrependemos.
É interessante perceber que o texto não está preocupado apenas com o momento em que fazemos alguma coisa.
Ele nos convida a olhar para o que permanece depois.
Uma ação pode deixar em nós uma sensação de integridade.
Podemos olhar para trás e pensar:
“Eu faria novamente.”
E pode acontecer o contrário.
Podemos olhar para trás e pensar:
“Eu gostaria de ter feito de outra maneira.”
Isso é uma oportunidade de aprendizagem.
Os versos também podem nos ajudar a compreender kamma de uma maneira muito simples.
Existe uma intenção.
Essa intenção participa de uma ação.
E a ação produz consequências.
Não precisamos transformar isso em uma fórmula rígida.
A vida é muito complexa.
Mas podemos observar tendências.
Aquilo que fazemos importa.
E a maneira como fazemos também importa.
Isso fica muito claro no Yoga.
Imagine duas pessoas fazendo exatamente a mesma postura.
Por fora, talvez pareçam iguais.
Mas uma está forçando.
Outra está escutando.
Uma está tentando provar alguma coisa.
Outra está praticando com cuidado.
Uma está brigando com o próprio corpo.
Outra está aprendendo com ele.
A forma externa pode ser parecida.
A experiência não é.
Por isso, hoje não vamos perguntar o tempo todo se estamos fazendo certo ou errado.
Vamos fazer uma pergunta mais interessante:
“Esta maneira de fazer está de acordo com aquilo que quero cultivar?”
Se quero cultivar cuidado, como estou fazendo?
Se quero cultivar presença, como estou fazendo?
Se quero cultivar não violência, como estou fazendo?
Isso é discernimento ético.
Não é uma moral imposta de fora.
É perceber a qualidade daquilo que colocamos no mundo.
E também dentro de nós.
HARMONIZAÇÃO
Sente-se confortavelmente.
Alongue a coluna.
Relaxe os ombros.
Feche os olhos.
Antes de começarmos, perceba a intenção com que você chegou.
Talvez queira aprender.
Talvez esteja cansado.
Talvez queira simplesmente praticar.
Não precisamos mudar nada.
Apenas reconhecer.
E guardar uma pergunta para a prática:
“Como estou fazendo?”
PRECE
Que nossas ações possam nascer de uma intenção clara.
Que possamos agir com cuidado.
Que possamos reconhecer quando estamos ultrapassando nossos próprios limites.
Que nossas palavras e gestos possam produzir menos sofrimento.
E que possamos aprender a realizar cada ação
com mais presença,
mais respeito
e mais consciência.
SAMADHI
ĀNĀPĀNA-SATI
Feche os olhos.
Observe a respiração.
Agora perceba a qualidade da sua respiração.
Ela está profunda ou superficial?
Suave ou tensa?
Regular ou irregular?
Não tente modificar.
Apenas perceba.
Agora faça uma inspiração um pouco mais consciente.
E uma expiração um pouco mais consciente.
Perceba como muda a experiência quando a maneira de respirar muda.
A respiração continua sendo respiração.
Mas a qualidade da relação com ela mudou.
Guarde essa percepção.
Não é apenas o que fazemos.
É como fazemos.
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
“Que a maneira de agir esteja de acordo com aquilo que quero cultivar.”
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
Essa frase nos convida a aproximar intenção e ação.
Se quero cultivar paciência,
não posso alimentar deliberadamente a pressa.
Se quero cultivar cuidado,
preciso perceber como trato aquilo que está diante de mim.
Se quero cultivar não violência,
preciso perceber também a violência com que às vezes trato a mim mesmo.
Não se trata de conseguir fazer tudo perfeitamente.
Trata-se de perceber quando existe uma distância entre aquilo que dizemos valorizar
e a maneira como estamos agindo.
Esse olhar já é uma forma de discernimento.
MEDITAÇÃO — BHĀVANĀ
Sente-se confortavelmente.
Feche os olhos.
Observe a respiração.
Agora escolha uma qualidade que você gostaria de cultivar.
Pode ser:
paciência.
cuidado.
clareza.
gentileza.
presença.
Escolha apenas uma.
Repita mentalmente:
“Quero cultivar ______.”
Agora permaneça em silêncio.
E pergunte:
“Como essa qualidade aparece nas minhas ações?”
Não procure uma resposta intelectual.
Apenas observe.
Talvez apareça uma situação.
Uma pessoa.
Uma maneira de falar.
Uma maneira de agir.
Não faça nada com isso.
Apenas veja.
E volte à respiração.
RELAXAMENTO PROFUNDO
Deite-se confortavelmente.
Solte o corpo.
Não precisamos fazer mais nada.
Perceba o efeito da prática.
Talvez o corpo esteja mais aberto.
Talvez mais aquecido.
Talvez mais tranquilo.
Não procure uma experiência específica.
Apenas receba.
Hoje praticamos uma coisa muito simples:
a maneira como fazemos também é parte da ação.
Permaneça em silêncio.
MENSAGEM FINAL
Vire-se lentamente para o lado direito.
Fique alguns instantes.
Talvez os versos de hoje possam nos acompanhar para além do Yoga.
Uma conversa pode ser feita com pressa ou com cuidado.
Uma decisão pode ser tomada por medo ou por clareza.
Uma tarefa pode ser realizada apenas para terminar logo...
ou pode ser realizada com presença.
A ação externa pode parecer a mesma.
Mas a qualidade da ação muda.
E talvez seja isso que o Dhamma esteja nos ensinando hoje:
não basta perguntar:
“O que eu fiz?”
Também podemos perguntar:
“Como eu fiz?”
Porque a maneira como agimos também participa do fruto que recebemos.
REFLEXÃO
Escolha uma ação cotidiana que você realiza quase todos os dias.
Não precisa ser uma grande decisão.
Pode ser ensinar.
Cozinhar.
Conversar.
Trabalhar.
Cuidar de alguém.
Praticar Yoga.
E pergunte:
“Como costumo realizar essa ação?”
Depois pergunte:
“A maneira como faço está de acordo com aquilo que quero cultivar?”
Escreva no seu caderno.
EXERCÍCIO PARA A SEMANA
Durante esta semana, escolha uma atividade cotidiana.
Não escolha uma situação problemática.
Escolha algo simples que você normalmente faz sem prestar muita atenção.
Pode ser preparar uma refeição.
Tomar banho.
Caminhar.
Ensinar.
Fazer uma tarefa doméstica.
Ou realizar uma prática de Yoga.
Uma vez por dia, faça essa atividade deliberadamente com uma qualidade que você gostaria de cultivar.
Pode ser:
atenção.
paciência.
cuidado.
gentileza.
presença.
Não faça mais devagar necessariamente.
Não tente fazer perfeito.
Apenas observe se a qualidade escolhida realmente está presente na maneira como você realiza a ação.
Ao final da semana, escreva:
“O que mudou quando mudei a maneira de fazer, mesmo sem mudar aquilo que estava fazendo?”
