Permaneça alguns instantes diante desta imagem.
Observe a figura sombria que acompanha o personagem. Às vezes, o maior obstáculo não está fora de nós, mas nasce de nossas próprias escolhas.
Que atitudes minhas estão produzindo frutos amargos?
Sem culpa e sem julgamento, apenas observe.
Deite-se confortavelmente.
Feche os olhos.
Sinta o corpo apoiado no chão.
Perceba a respiração acontecendo.
Agora pense em alguma coisa que você faz repetidamente.
Pode ser uma coisa pequena.
Uma maneira de falar.
Uma maneira de reagir.
Um hábito.
Uma escolha que você faz quase sem perceber.
E talvez você possa perguntar, sem julgamento:
“O que acontece comigo depois que faço isso?”
Não precisamos procurar uma grande resposta.
Apenas observar.
Porque algumas ações deixam o corpo mais leve.
Outras deixam alguma coisa pesada.
Algumas aproximam.
Outras afastam.
Algumas trazem clareza.
Outras trazem sofrimento.
Hoje vamos olhar para isso.
ENSINAMENTO
O verso 66 traz uma imagem forte:
o próprio indivíduo como seu maior inimigo.
Mas acho importante compreender isso com cuidado.
Não significa que exista dentro de nós uma pessoa má escondida.
Não significa que precisamos lutar contra nós mesmos.
O ensinamento aponta para outra coisa.
Podemos repetir determinadas ações...
e depois sofrer as consequências delas.
Sabemos disso na vida cotidiana.
Às vezes sabemos que determinada reação vai complicar uma situação.
Mesmo assim, reagimos.
Sabemos que determinada palavra pode machucar.
Mesmo assim, falamos.
Sabemos que determinado hábito não nos faz bem.
Mesmo assim, repetimos.
E depois vem aquele gosto amargo.
O verso chama nossa atenção para essa relação:
mente → ação → fruto.
Não precisamos transformar isso em culpa.
Podemos transformar em responsabilidade.
Responsabilidade é perceber que:
“Aquilo que faço também participa daquilo que vivo.”
Isso não significa que tudo o que acontece conosco seja resultado das nossas ações.
A vida é muito maior do que isso.
Mas existe uma parte da experiência sobre a qual podemos olhar.
Nossas escolhas.
Nossas reações.
Nossos hábitos.
E talvez a pergunta mais importante de hoje seja muito simples:
“O que faço repetidamente que depois me faz sofrer?”
Não para nos condenar.
Para começar a perceber.
Porque quando percebemos um hábito, ele deixa de ser completamente automático.
E aí aparece uma possibilidade.
Escolher de outra maneira.
HARMONIZAÇÃO
Sente-se confortavelmente.
Alongue suavemente a coluna.
Relaxe os ombros.
Feche os olhos.
Perceba como você chegou até aqui.
Não vamos tentar mudar nada.
Apenas reconhecer.
Talvez haja alguma agitação.
Talvez tranquilidade.
Talvez cansaço.
Tudo bem.
Hoje vamos praticar uma coisa muito simples:
perceber antes de reagir.
PRECE
Que possamos olhar para nossas ações com honestidade.
Sem culpa.
Sem condenação.
Que possamos reconhecer aquilo que produz sofrimento.
E também reconhecer aquilo que produz clareza, cuidado e liberdade.
Que tenhamos coragem para perceber nossos hábitos.
E liberdade para escolher novamente.
SAMADHI
ĀNĀPĀNA-SATI
Feche os olhos.
Observe a respiração.
Inspire.
Expire.
Agora perceba uma coisa:
existe um pequeno espaço entre uma respiração e outra.
Não precisamos aumentar esse espaço.
Apenas percebê-lo.
Também existe, muitas vezes, um pequeno espaço entre aquilo que acontece e aquilo que fazemos.
Alguém fala alguma coisa.
Uma sensação aparece.
Um pensamento surge.
E então reagimos.
Hoje vamos observar esse intervalo.
O que acontece antes da minha reação?
Continue respirando.
Sem tentar controlar.
Apenas percebendo.
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
“Antes de repetir uma ação, eu posso escolher.”
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
Muitas vezes não percebemos que estamos repetindo.
A reação simplesmente acontece.
Mas a prática pode criar um pequeno espaço.
Antes de falar.
Antes de responder.
Antes de agir.
E nesse espaço podemos perguntar:
“É isso mesmo que quero alimentar?”
Não precisamos acertar sempre.
Responsabilidade não significa perfeição.
Significa começar a perceber a participação que temos naquilo que fazemos.
E, quando percebemos...
podemos escolher.
MEDITAÇÃO — BHĀVANĀ
Sente-se confortavelmente.
Feche os olhos.
Observe a respiração.
Traga à mente uma pequena reação que você costuma repetir.
Não escolha algo muito difícil.
Apenas uma situação cotidiana.
Veja a situação.
Perceba o que normalmente acontece.
E agora imagine que existe um pequeno espaço antes da reação.
Respire.
Nesse espaço, repita:
“Antes de repetir, eu posso escolher.”
Não precisa imaginar uma resposta perfeita.
Apenas perceba que existe uma possibilidade.
Talvez uma palavra diferente.
Talvez o silêncio.
Talvez esperar.
Talvez respirar.
Fique alguns instantes nesse espaço.
RELAXAMENTO PROFUNDO
Deite-se.
Solte completamente o peso do corpo.
Não há nada para corrigir agora.
Nada para resolver.
Apenas permaneça.
Observe a respiração.
E talvez perceba:
nossos hábitos não precisam ser inimigos.
Eles podem se tornar objetos de consciência.
Quando percebemos o que repetimos,
surge a possibilidade de fazer diferente.
Descanse.
MENSAGEM FINAL
Vire-se lentamente para o lado direito.
Fique alguns instantes.
O verso de hoje pode parecer duro.
“Os tolos têm a si mesmos como seus maiores inimigos.”
Mas talvez possamos escutá-lo de uma maneira mais cuidadosa.
Não precisamos transformar isso em culpa.
Podemos transformar em responsabilidade.
Talvez exista alguma coisa que fazemos repetidamente...
e que sabemos que não nos faz bem.
Hoje não precisamos mudar tudo.
Podemos começar simplesmente percebendo.
Porque perceber já cria uma pequena distância entre nós e o hábito.
E nessa pequena distância...
pode nascer uma escolha.
Antes de repetir, eu posso escolher.
REFLEXÃO
Durante esta semana, reflita:
“O que faço repetidamente que depois me faz sofrer?”
Não procure uma resposta perfeita.
Escolha apenas uma situação.
Observe-a com honestidade e gentileza.
E escreva no seu caderno:
“Que fruto essa ação costuma produzir em mim?”
EXERCÍCIO PARA A SEMANA
Escolha um hábito ou reação que você costuma repetir.
Pode ser algo pequeno:
uma maneira de responder,
uma reclamação,
uma preocupação,
uma reação diante de alguém,
ou qualquer comportamento que você perceba que depois traz algum sofrimento.
Durante a semana, quando essa situação aparecer:
pare por alguns segundos.
Respire.
Observe o impulso.
E pergunte:
“Se eu repetir isso agora, que fruto provavelmente vou colher?”
Não precisa se obrigar a agir de outra maneira.
Primeiro observe.
Depois, se houver espaço,
experimente escolher diferente.
No final da semana, escreva:
“O que aconteceu quando eu percebi o fruto antes de repetir a ação?”
