Encontrar o caminho


CONTEMPLAÇÃO DA IMAGEM

Permaneça alguns instantes diante desta imagem, em silêncio.

Observe os dois caminhos e a escolha daquele que caminha. A sabedoria não está apenas em encontrar um caminho, mas em reconhecer, com clareza, qual caminho vale a pena seguir.

Pergunte a si mesmo:
Entre tantas possibilidades, o que realmente merece ser escolhido?

Às vezes, como quem escolhe uma flor entre tantas, o praticante aprende a reconhecer aquilo que conduz à virtude.

INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Acomode o corpo no chão.
Deixe os braços repousarem ao lado do corpo.
Feche suavemente os olhos.
Respire.

Imagine que você está diante de um caminho.
Você não consegue enxergar todo o percurso.
Mas consegue enxergar o lugar onde está.

Ao redor existem muitas flores.
Algumas são bonitas.
Outras chamam mais atenção.
Algumas parecem perfeitas.
Mas você não precisa escolher todas.
Existe uma flor que precisa ser reconhecida.

Talvez a prática de hoje seja um pouco assim.
A vida nos apresenta muitas possibilidades.
Muitos desejos.
Muitas direções.
E nem tudo aquilo que podemos escolher é aquilo que precisamos escolher.

Hoje vamos praticar a capacidade de olhar.
Reconhecer.
E escolher.

ENSINAMENTO PROFUNDO
Olha que interessante a maneira como o Buddha começa este capítulo.

Ele começa com uma pergunta.
"Quem conquistará esta terra, o mundo de Yama e o mundo dos deuses?"

E logo depois pergunta:
"Quem descobrirá o caminho da virtude claramente exposto?"

Não é uma pergunta pequena.
Ela fala de conquista.
Fala de descobrir um caminho.
E compara essa descoberta com alguém habilidoso que escolhe a flor correta.

Gosto muito dessa imagem porque escolher uma flor parece uma coisa simples.
Mas imagine um jardim cheio de flores.
Você olha.
Todas são bonitas.
Todas têm alguma qualidade.
Mas você precisa escolher uma.
Para isso, não basta enxergar.
É preciso discernir.

E talvez esse seja um dos grandes desafios da nossa vida.
Nós temos muitas escolhas.
Muitas possibilidades.
Muitas coisas disputando nossa atenção.
Às vezes o problema é não saber qual caminho escolher.

Podemos querer muitas coisas ao mesmo tempo.
Podemos ouvir muitas opiniões.
Podemos ser influenciados por aquilo que os outros esperam de nós.
Podemos seguir um desejo simplesmente porque ele apareceu com força.
E, quando percebemos, já estamos caminhando.
Mas talvez nunca tenhamos escolhido conscientemente.

Nesse verso, existe uma expressão muito importante:
"o caminho da virtude claramente exposto".

Isso significa que o caminho não está escondido.
Ele está diante de nós.
A dificuldade está em reconhecê-lo.
E, depois de reconhecê-lo, ter disposição para caminhar por ele.

Porque conhecer uma direção não significa necessariamente segui-la.
Nós podemos saber que precisamos descansar e continuar ultrapassando nossos limites.
Podemos perceber que estamos irritados e continuar falando.
Podemos reconhecer um hábito que nos prejudica e ainda assim repeti-lo.

Então existe uma distância entre:
saber
e
escolher.
E o discernimento começa justamente nesse espaço.

Discernir não é saber tudo.
Não é ter certeza sobre o futuro.
É conseguir olhar para uma situação e perguntar:
"Qual é a direção que estou escolhendo agora?"

Essa pergunta pode ser muito poderosa.
Porque, muitas vezes, não precisamos saber como será toda a nossa vida.
Precisamos apenas perceber qual é o próximo passo.

Talvez o caminho correto seja avançar.
Talvez seja esperar.
Talvez seja falar.
Talvez seja permanecer em silêncio.
Talvez seja abandonar alguma coisa.
Talvez seja começar novamente.
O discernimento aparece quando conseguimos olhar antes de agir.

O discernimento pergunta:
"O que realmente merece ser escolhido?"

Talvez seja por isso que o Buddha tenha escolhido justamente a imagem da flor.
A pessoa habilidosa não pega a primeira flor que encontra.
Ela observa.
Ela reconhece.
Ela escolhe.

E isso pode ser praticado em coisas muito simples.
Uma palavra que vamos dizer.
Uma resposta que vamos dar.
Uma atitude diante de alguém.
Uma escolha quando estamos cansados.
Uma escolha quando estamos irritados.
É nesses pequenos momentos que vamos construindo nosso caminho.

O caminho não é apenas alguma coisa que encontramos no futuro.
Ele está sendo construído agora.

E talvez "conquistar", nesses versos, possa ser compreendido também como não sermos levados automaticamente por qualquer desejo.
Por qualquer medo.
Por qualquer influência.

Existe uma liberdade muito bonita nisso.
Não precisamos controlar tudo.
Precisamos aprender a escolher.

E é exatamente isso que vamos experimentar hoje.
Vamos praticar uma coisa mais simples.
Perceber onde estamos.
Reconhecer a direção.
E escolher o próximo passo.

Durante a prática, cada postura será uma pequena oportunidade de fazer isso.
Sentir.
Observar.
Ajustar.
Escolher.
E permanecer.

Talvez, no final da aula, o caminho ainda não esteja completamente visível.
Tudo bem.
Não precisamos enxergar todo o caminho.
Precisamos apenas aprender a reconhecer a próxima flor.

HARMONIZAÇÃO
Sente-se lentamente.
Acomode a coluna.
Deixe as mãos repousarem sobre as pernas.
Feche os olhos.

Perceba onde você está.
O corpo.
A respiração.
Os sons.
As sensações.

Não escolha nada ainda.
Apenas observe.

Antes de caminhar, percebemos.
Antes de escolher, olhamos.
Antes de agir, respiramos.

Que esta prática nos ajude a desenvolver essa capacidade.

PRECE
Que possamos reconhecer com clareza os caminhos que se apresentam diante de nós.
Que tenhamos discernimento para escolher.
Firmeza para caminhar.
E humildade para reconhecer quando precisamos mudar de direção.
Que nossas escolhas possam produzir benefício.
Para nós e para todos os seres.

SAMADHI
ĀNĀPĀNA-SATI
Permaneça sentado.
Feche suavemente os olhos.
Hoje vamos observar a respiração como um caminho.
A inspiração começa.
Percorre seu caminho.
E termina.
A expiração começa.
Percorre seu caminho.
E termina.

Não acompanhe a respiração tentando modificá-la.
Apenas observe seu percurso.

Quando a inspiração terminar, perceba.
Quando a expiração terminar, perceba.
E aguarde naturalmente o próximo movimento.

Se a mente se afastar, não há problema.
Reconheça onde ela foi.
E escolha retornar.

Não precisamos voltar para o passado.
Nem antecipar o futuro.
Apenas escolher o próximo momento de atenção.

Inspiração.
Expiração.
Presença.

Permaneça assim por alguns instantes.

ESCUTA
FRASE-SEMENTE
Reconheço o caminho e escolho caminhar por ele.

COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
A frase possui dois movimentos.
Primeiro:
reconheço.
Depois:
escolho.

Podemos perceber muitas coisas e ainda não agir de acordo com aquilo que percebemos.
Por isso, reconhecer é apenas o começo.
O próximo passo é escolher.

Durante a meditação, não precisamos imaginar um grande caminho.
Vamos apenas observar cada respiração como uma pequena oportunidade de escolha.
Quando a mente se afastar, podemos escolher retornar.
Quando surgir uma distração, podemos escolher observar.
Quando surgir um pensamento, podemos escolher não segui-lo.

Assim, a frase deixa de ser apenas uma ideia.
Ela começa a ser experimentada.
Reconheço o caminho e escolho caminhar por ele.

MEDITAÇÃO — BHĀVANĀ
Permaneça sentado.
Feche suavemente os olhos.
Sinta a respiração.

Imagine novamente um caminho.
Não tente enxergar onde ele termina.
Apenas perceba o trecho que está diante de você.

Ao lado do caminho existem muitas flores.
Observe suas cores.
Suas formas.
Seus perfumes.

Agora imagine que você precisa escolher apenas uma.
Não tenha pressa.
Observe.

Pergunte silenciosamente:
"O que merece ser escolhido?"

Não procure uma resposta imediata.
Permaneça observando.

Agora repita mentalmente:
Reconheço o caminho e escolho caminhar por ele.

Mais uma vez:
Reconheço o caminho e escolho caminhar por ele.

Imagine dando apenas um passo.
Depois outro.
Não é necessário enxergar todo o percurso.
Apenas o próximo passo.

Permaneça nessa experiência.
Sem pressa.
Sem procurar chegar.
Apenas caminhando.

Deixe agora a imagem desaparecer.
Permaneça apenas com a respiração por 15 a 30 minutos

Quando sentir que é o momento, aprofunde lentamente a respiração e desperte