SOBRE A IMAGEM
Sente-se com essa imagem… e apenas observe…
Três presenças… mas uma mesma busca…
Três formas… mas um mesmo coração…
Cada um ali deseja paz…
assim como você…
E, talvez… a separação exista apenas na mente…
porque, no sentir mais profundo…
não há “eu” e “outro”…
Há apenas vida…
reconhecendo a si mesma em todos.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Sente-se a partir da postura tradicional do sentar: aproxime seus pés do quadril... erga e alinhe a sua coluna... relaxe seus ombros... abra seu coração com suavidade -sem rigidez - ... repouse suas mãos sobre os joelhos... alinhe sua cabeça, levando o queixo um pouquinho para dentro... toque a ponta da língua no céu da boca – logo atrás da raiz dos dentes superiores da frente - ... repouse seus olhos entreabertos na direção do solo.
Hoje, o nosso tema é profundamente transformador…
“Lamrim: o desenvolvimento da renúncia genuína…”
Mas não pense em renúncia como rejeição… como negação da vida…
Hoje, o nosso tema é um dos mais profundos do Lamrim…
“IGUALAR-SE AOS OUTROS — TODOS QUEREM FELICIDADE”
Sinta isso… não como uma ideia…, mas como algo vivo…
Você quer ser feliz… você evita o sofrimento…
E todos os outros seres… exatamente da mesma forma… querem ser felizes… e evitar o sofrimento…
Permaneça deitado… e permita que essa simples verdade comece a tocar você…
Sem esforço… apenas sentindo…
ENSINAMENTO PROFUNDO
No caminho do Lamrim…
igualar-se aos outros é uma virada profunda da consciência…
É sair do centro rígido do “eu” … e reconhecer algo universal…
O Buddha ensinou:
“Assim como eu, todos os seres tremem diante da violência, todos temem a morte. Comparando-se com os outros, não se deve matar nem fazer matar.”
(Dhammapada)
Sinta isso…
“Assim como eu…”
Essa é a chave…
Tudo o que você sente… outros também sentem…
A alegria… o medo… a insegurança… a esperança…
Não há diferença essencial…
E, no entanto… a mente cria separação…
“Eu” … e “outros” …
“Meu sofrimento” … mais importante…
“Minha felicidade” … mais urgente…
Shantideva nos convida a olhar profundamente:
“Todos os que sofrem no mundo o fazem por desejarem felicidade para si mesmos; todos os que são felizes o são por desejarem felicidade para os outros.”
(Bodhicaryavatara)
Observe isso com cuidado…
Quando a mente está centrada apenas em si… ela se contrai… se fecha… se isola…
E nessa contração… o sofrimento surge…
Mas quando a mente começa a se abrir… a incluir… a reconhecer o outro como igual… algo muda…
No Yoga Tibetano isso não é apenas um conceito…
É algo que você pode sentir no corpo…
Tarthang Tulku ensina:
“Quando nos abrimos para os outros, nossa energia se expande e os limites do eu começam a se dissolver.”
(Kum Nye Relaxation)
Sinta isso agora…
Talvez, ao pensar em outra pessoa… o corpo se contraia…
Talvez haja resistência…
Isso mostra… onde ainda há separação…
Mas, suavemente… você pode começar a sentir…
Que a vida que pulsa em você… é a mesma vida que pulsa em todos…
O Dalai Lama ensina:
“Se você quer que os outros sejam felizes, pratique compaixão. Se você quer ser feliz, pratique compaixão.”
(The Art of Happiness)
Isso não é moral… é realidade…
Porque a separação é uma ilusão…
Thich Nhat Hanh chama isso de “interser”:
“Eu sou você, e você é eu. Nós inter-somos.”
(Interbeing)
Sinta isso…
Não como filosofia…, mas como experiência…
O ar que você respira… já passou por outros…
O alimento que você come… veio da terra… da chuva… do trabalho de muitos…
Nada é separado…
E quando você reconhece isso profundamente…
A ideia de “eu contra o mundo” … começa a desaparecer…
Jetsunma Tenzin Palmo ensina:
“Quando percebemos que todos desejam felicidade, nosso coração naturalmente se abre.”
(Reflections on a Mountain Lake)
E essa abertura… é o início da verdadeira transformação…
Respire…
Sinta o corpo…
Sinta o espaço interno…
E talvez… uma suavidade comece a surgir…
PRECE
Leve as mãos ao coração…
E, internamente, recite…
Que eu possa reconhecer que todos os seres desejam felicidade… assim como eu…
Que eu possa abrir o coração… e dissolver a separação…
Que a minha prática não seja apenas para mim…, mas para o benefício de todos os seres…
Que todos possam encontrar paz… liberdade… e verdadeira felicidade…
SAMADHI
ANAPANA-SATI
Volte a observar a respiração
ESCUTA
“Assim como eu desejo ser feliz e evitar o sofrimento, todos os seres desejam o mesmo.”
COMPREENSÃO
Observe essa frase…
“Assim como eu…”
Tudo começa aqui…
Não é uma ideia abstrata… é algo que você pode sentir diretamente…
Você quer ser feliz…
isso é natural…
“…todos os seres…”
Não apenas aqueles que você gosta… mas todos…
Inclusive aqueles que você não compreende… ou até rejeita…
“…desejam o mesmo.”
O desejo de felicidade é universal…
Não há exceção…
Quando você reconhece isso profundamente…
A separação começa a se dissolver…
E surge… naturalmente… a compaixão…
MEDITAÇÃO / BHAVANA por 15 minutos
Feche os olhos…
Sente-se com estabilidade…
Leve a atenção para a respiração…
Sinta o ar entrando…
Sinta o ar saindo…
Agora… traga a atenção para você…
Sinta o seu próprio desejo de felicidade…
Sem palavras… apenas sinta…
Talvez como uma busca… talvez como um anseio silencioso…
Agora… reconheça…
“Eu quero ser feliz…”
Permaneça com isso…
Agora… traga à mente alguém querido…
E perceba…
Essa pessoa também quer ser feliz…
Sinta isso…
Agora… traga alguém neutro…
Alguém que você não conhece bem…
E perceba…
Essa pessoa também quer ser feliz…
Agora… traga alguém com quem você tem dificuldade…
E, com suavidade… sem forçar…
Veja…
Essa pessoa também quer ser feliz…
Talvez de formas confusas… talvez de formas equivocadas…
Mas, no fundo… o impulso é o mesmo…
Agora… amplie…
Inclua todos os seres…
Todos…
Respirando… vivendo… buscando…
E sinta…
Uma igualdade profunda…
Sem diferença essencial…
Permaneça nesse espaço…
Aberto…
inclusivo…
Sem esforço…
Apenas sentindo…
RELAXAMENTO PROFUNDO
Agora… lentamente… deite-se novamente…
Solte completamente o corpo…
Como se estivesse sendo acolhido pela terra…
Respire profundamente uma vez…
E solte pela boca…
Agora… não há prática…
Apenas sentir…
Sinta o corpo como espaço…
Sinta as sensações surgindo… e desaparecendo…
E, talvez… sinta também uma abertura no coração…
Sem esforço…
Apenas presença…
No Yoga Tibetano, quando o corpo relaxa profundamente… a separação diminui…
E a experiência se torna mais ampla…
Mais inclusiva…
Permaneça…
MENSAGEM FINAL
Volte a sentir o seu corpo...
Volte a sentir a sua respiração...
E leve essa compreensão com você…
Assim como você deseja ser feliz… todos os seres desejam o mesmo…
Essa simples percepção… pode transformar a forma como você vive…
Como disse Pema Chödrön:
“A compaixão começa quando reconhecemos nossa própria dor nos outros.”
(When Things Fall Apart)
E como ensinou Matthieu Ricard:
“O altruísmo não é um ideal moral, mas uma necessidade para a felicidade genuína.”
(Altruism)
Que você possa continuar essa prática…
No olhar… no falar… no sentir…
Reconhecendo… em cada encontro… essa igualdade profunda…
E permitindo que dela… surja naturalmente… a compaixão…
Até o próximo encontro…
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