Permaneça alguns instantes com esta imagem, em silêncio.
Existe uma alegria que não depende das circunstâncias. Ela nasce quando a mente desperta permanece atenta, presente e livre da distração.
Antes de seguir para este ensinamento, observe o seu próprio coração.
O que alimenta a sua alegria: aquilo que muda ou aquilo que permanece?
Que esta imagem recorde que a verdadeira felicidade floresce naturalmente em uma mente vigilante, lúcida e desperta.
CAPÍTULO 2 — APPAMĀDAVAGGA
A ALEGRIA DE PERMANECER DESPERTO
Verso 22
"Aqueles que estão estabelecidos na vigilância, que se alegram na vigilância e se regozijam no conhecimento dos Nobres, estão livres da destruição."
Tema da aula
A alegria que nasce da presença
INTRODUÇÃO AO TEMA
Sente-se a partir da postura tradicional do sentar.
Permita que o corpo seja completamente acolhido pelo chão.
Feche os olhos.
Respire sem pressa.
Não existe nenhum objetivo para alcançar agora.
Existe apenas este momento.
(Pausa)
Gostaria de convidar você a lembrar de alguma atividade que realmente gosta de fazer.
Talvez caminhar.
Talvez ouvir música.
Talvez contemplar o mar.
Talvez praticar Yoga.
Quando fazemos algo que amamos, quase não olhamos para o relógio.
O tempo parece passar de outra maneira.
Existe leveza.
Existe naturalidade.
Existe alegria.
Veja que interessante.
Ninguém precisa nos obrigar a fazer aquilo que amamos.
Nós simplesmente fazemos.
Respire profundamente.
Hoje o Buddha nos convida a descobrir que a presença também pode ser assim.
Ela não precisa ser uma obrigação.
Ela pode se tornar um lugar onde o coração gosta de permanecer.
Permaneça alguns instantes sentindo essa possibilidade.
ENSINAMENTO
Na aula anterior, o Buddha nos apresentou a vigilância como o caminho da imortalidade.
Hoje ele continua esse ensinamento de uma forma muito bonita.
Ele diz no verso 22
"Aqueles que estão estabelecidos na vigilância, que se alegram na vigilância e se regozijam no conhecimento dos Nobres, estão livres da destruição."
Existe uma palavra que sempre toca profundamente o meu coração nesse verso.
Alegram-se.
Veja que interessante.
O Buddha não diz que essas pessoas suportam a vigilância.
Não diz que permanecem presentes apenas porque é o correto.
Também não diz que praticam por obrigação.
Ele diz que elas se alegram.
Isso muda completamente nossa maneira de compreender o caminho espiritual.
Muitas vezes crescemos acreditando que disciplina significa peso.
Que prática significa esforço constante.
Que espiritualidade exige rigidez.
(não sei se você percebeu...)
Mas o Buddha apresenta outra possibilidade (aqui).
Ele nos mostra que existe um momento em que a prática deixa de ser uma tarefa.
Ela passa a ser uma alegria.
Talvez você já tenha vivido isso.
No começo da prática de Yoga, precisamos lembrar da postura.
precisamos lembrar da respiração.
precisamos lembrar da atenção.
Tudo parece exigir esforço.
Mas, aos poucos, algumas coisas começam a acontecer naturalmente.
O corpo encontra mais facilidade.
A respiração flui com mais suavidade.
A mente se aquieta com menos resistência.
O que antes parecia difícil começa a se tornar prazeroso.
Não porque ficou mais fácil.
Mas porque nós mudamos.
Veja que bonito.
O Buddha diz também:
"Aqueles que estão estabelecidos na vigilância..."
Essa palavra é muito importante.
Estabelecidos.
(porque) Ela transmite estabilidade.
Não estamos falando de alguém que consegue ficar atento durante alguns minutos.
Estamos falando de alguém que fez da presença uma maneira de viver.
E isso é uma diferença enorme.
Porque a vigilância deixa de acontecer apenas durante a meditação.
Ela acompanha a caminhada.
A refeição.
O trabalho.
As conversas.
Os momentos difíceis.
Ela passa a fazer parte da própria vida.
Talvez seja isso que significa amadurecer espiritualmente.
Não viver alguns momentos conscientes.
Mas permitir que a consciência acompanhe cada momento da existência.
Depois o Buddha continua:
"...que se regozijam no conhecimento dos Nobres..."
Quem são esses Nobres?
Nesse verso eles são aqueles que descobriram, através da própria experiência, que existe um caminho capaz de reduzir o sofrimento.
Veja que interessante.
O Buddha não está falando apenas de estudar ensinamentos.
Ele está falando de experimentar esses ensinamentos.
Uma coisa é ouvir que a respiração acalma a mente.
Outra completamente diferente é sentir isso acontecendo dentro de você.
Uma coisa é ler sobre presença.
Outra é experimentar alguns minutos de verdadeira presença.
É essa experiência que fortalece nossa confiança.
Não é uma crença.
É uma descoberta.
Thich Nhat Hanh dizia:
"A paz está presente aqui e agora."
Eu gosto muito dessa frase.
Porque ela nos lembra que não precisamos esperar um futuro perfeito para experimentar serenidade.
A paz começa quando estamos completamente presentes.
Mesmo que apenas por alguns instantes.
O Kum Nye nos ensina algo muito parecido.
Quando relaxamos profundamente, percebemos que existe uma alegria muito simples escondida sob nossas tensões.
Não precisamos fabricá-la.
Ela já está ali.
Apenas deixamos de percebê-la quando a mente vive correndo de um lado para outro.
Talvez seja exatamente essa alegria que o Buddha descreve.
Uma alegria silenciosa.
Que não depende de conquistar alguma coisa.
Nem de possuir alguma coisa.
Ela nasce da qualidade da presença.
E então o verso termina dizendo:
"...estão livres da destruição."
Veja que bonito.
A destruição de que o Buddha fala não é apenas física.
É a destruição provocada pela distração constante.
Pelos hábitos que alimentam sofrimento.
Pelas reações automáticas.
Quando a vigilância amadurece, começamos a perceber esses movimentos antes que eles dominem nossa mente.
Surge um espaço.
E dentro desse espaço nasce liberdade.
Talvez seja justamente isso que o Buddha queira nos ensinar hoje.
A prática começa como um exercício.
Mas, pouco a pouco, transforma-se em um lugar onde gostamos de estar.
Porque descobrimos que a verdadeira alegria não vem daquilo que acontece fora.
Ela floresce naturalmente quando o coração repousa no momento presente.
SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observar a respiração
ESCUTA / FRASE-SEMENTE
"Aqueles que se alegram na vigilância estão livres da destruição."
(Dhammapada 22)
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
A presença não precisa ser um peso.
Ela pode tornar-se uma alegria.
Quando experimentamos os frutos da prática, deixamos de praticar apenas porque devemos.
Praticamos porque descobrimos que a consciência desperta torna a vida mais leve, mais lúcida e mais verdadeira.
MEDITAÇÃO — BHAVANA
Feche novamente os olhos.
Observe a respiração.
Sem controlar.
Sem modificar.
Apenas acompanhe.
Agora recorde um momento em que você esteve profundamente presente.
Talvez durante uma prática.
Talvez caminhando.
Talvez contemplando a natureza.
Talvez simplesmente respirando.
Recorde apenas a qualidade daquela presença.
Como estava o corpo?
Como estava a mente?
Como estava o coração?
Permaneça alguns instantes sentindo novamente essa experiência.
Perceba que essa alegria não veio de fora.
Ela nasceu da presença.
Repouse nela.
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