Enquanto colhemos as flores da vida, podemos nos esquecer de que estamos vivendo. A mente se distrai com os prazeres, desejos e pequenas conquistas, como uma vila adormecida diante da força da água.
A morte nos lembra que não temos tempo para viver distraídos.
Por isso, desperte para este instante — antes que ele passe.
Este momento é a vida. Este momento é precioso.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Acomode o corpo.
Feche os olhos.
Deixe a respiração acontecer naturalmente.
Imagine uma pessoa caminhando por um jardim.
Há flores por todos os lados.
Ela começa a colher uma.
Depois outra.
E outra.
Uma flor chama sua atenção.
Depois outra.
E outra.
Ela continua procurando.
Continua escolhendo.
Continua colhendo.
Mas, enquanto está ocupada procurando a próxima flor, deixa de perceber o próprio caminho.
Não percebe o que acontece ao redor.
Não percebe o que acontece dentro.
Hoje vamos olhar para isso.
Não para o prazer.
Não para as flores.
Mas para aquilo que acontece quando a mente está sempre procurando a próxima coisa.
Quando estamos tão ocupados buscando alguma coisa que deixamos de perceber aquilo que já está acontecendo.
ENSINAMENTO
Esses dois versos trazem uma imagem muito forte.
Uma pessoa está colhendo flores.
Nada parece estar errado.
Ela está simplesmente fazendo aquilo que deseja.
Mas existe um detalhe:
a mente está distraída.
E é justamente essa distração que o Buddha coloca no centro do ensinamento.
Não é a flor que é o problema.
Não é o prazer que é necessariamente o problema.
O problema está em uma mente que está tão envolvida naquilo que procura que deixa de perceber a própria experiência.
Talvez isso seja muito próximo da nossa vida.
Estamos fazendo uma coisa e já pensando na próxima.
Estamos comendo e pensando no que vamos fazer depois.
Estamos conversando com alguém e pensando na resposta.
Estamos descansando e pensando no que ainda precisamos resolver.
E, às vezes, conseguimos passar por uma experiência inteira sem realmente estar nela.
A mente está sempre um pouco adiante.
Sempre procurando alguma coisa.
Mais uma flor.
Mais uma experiência.
Mais um prazer.
Mais alguma coisa que imaginamos que vai nos satisfazer.
E o segundo verso acrescenta algo importante:
a pessoa é levada pela morte antes mesmo de se satisfazer em seus prazeres.
Isso é muito interessante.
Porque a busca continua.
E continua.
Mas nunca chega aquele momento em que finalmente dizemos:
"Agora está bom. Não preciso de mais nada."
Talvez a distração tenha também essa característica.
Ela nos mantém procurando.
Quando conseguimos alguma coisa, logo aparece outra.
Quando alcançamos uma experiência agradável, queremos repeti-la.
Quando conseguimos descansar, começamos a pensar no próximo compromisso.
E assim podemos passar a vida inteira colhendo flores.
Sem perceber que estamos colhendo.
A presença é o contrário disso.
Presença não significa parar de fazer coisas.
Não significa abandonar os prazeres da vida.
Significa estar realmente onde estamos.
Se estamos comendo, perceber que estamos comendo.
Se estamos conversando, estar na conversa.
Se estamos caminhando, sentir o caminhar.
Se estamos praticando Yoga, perceber o corpo.
Parece simples.
Mas não é.
Porque a mente tem uma enorme capacidade de se afastar do momento presente.
E geralmente ela nem percebe que se afastou.
Por isso a prática é tão importante.
Na meditação, percebemos que a mente foi embora.
Voltamos.
Ela vai novamente.
Voltamos.
Não é uma falha.
É exatamente o treinamento.
E hoje vamos levar isso para o corpo.
Não precisamos fazer uma prática complicada.
Vamos experimentar estar inteiramente em cada postura.
Sentir quando entramos.
Sentir enquanto permanecemos.
Perceber quando algo muda.
E perceber quando saímos.
Em vez de pensar:
"Quando será a próxima postura?"
vamos experimentar:
"O que está acontecendo agora?"
Essa pergunta é muito simples.
Mas ela pode devolver a mente para a vida.
Porque talvez o essencial não esteja na próxima flor.
Talvez esteja na flor que já está diante de nós.
HARMONIZAÇÃO
Sente-se lentamente.
Acomode a coluna.
Deixe as mãos repousarem sobre as pernas.
Feche os olhos.
Perceba a respiração.
Não faça nada para modificá-la.
Apenas perceba.
Agora perceba os sons.
Os sons mais próximos.
Os sons mais distantes.
Perceba o corpo.
Sem procurar nada especial.
Sempre que perceber que a mente foi embora, volte.
Sem irritação.
Sem pressa.
Apenas volte.
PRECE
Que possamos estar presentes naquilo que estamos vivendo.
Que possamos perceber quando a mente se distrair.
Que possamos retornar sem culpa.
Que aprendamos a apreciar aquilo que já está diante de nós.
E que nossa presença possa beneficiar todos os seres.
SAMADHI
ĀNĀPĀNA-SATI
Feche os olhos.
Hoje vamos observar a respiração através do primeiro contato.
Perceba onde o ar toca o corpo.
Talvez nas narinas.
Talvez no lábio superior.
Escolha apenas um ponto.
Não acompanhe toda a respiração.
Fique apenas nesse pequeno lugar.
Observe o momento em que o ar toca.
A mente vai embora.
Perceba.
Volte ao contato.
Novamente.
Contato.
Presença.
Não precisamos acompanhar tudo.
Precisamos apenas estar presentes neste pequeno acontecimento.
Permaneça assim.
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
Eu estou aqui.
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
A frase é muito simples:
Eu estou aqui.
Não diz:
"Preciso estar em outro lugar."
Não diz:
"Preciso conseguir alguma coisa."
Apenas:
Eu estou aqui.
Quando a mente corre para o que aconteceu ou para o que ainda vai acontecer, podemos voltar.
Não precisamos brigar com a mente.
Apenas reconhecer:
Eu estou aqui.
Durante a meditação, essa frase será apenas uma pequena âncora.
MEDITAÇÃO / BHĀVANĀ
Permaneça sentado.
Feche os olhos.
Sinta a respiração.
Agora perceba o corpo sentado.
O contato com o chão.
O peso do corpo.
As mãos.
A coluna.
Repita mentalmente:
Eu estou aqui.
Observe qualquer pensamento que surgir.
Não siga.
Não rejeite.
Apenas reconheça.
E volte:
Eu estou aqui.
Talvez a mente queira ir para algum lugar.
Para uma lembrança.
Para uma preocupação.
Para alguma coisa que você deseja.
Perceba.
E volte.
Eu estou aqui.
Agora deixe a frase desaparecer.
Permaneça apenas sentindo o corpo.
A respiração.
O momento presente.
Não procure a próxima experiência.
Fique com esta.
Quando sentir que é o momento, aprofunde a respiração.
E prepare-se para a prática de Hatha Yoga.
MENSAGEM FINAL
Talvez a vida esteja cheia de flores.
Talvez existam muitas coisas bonitas para experimentar.
E tudo bem.
O ensinamento não é deixar de apreciar.
É não perder a presença enquanto apreciamos.
Que possamos colher nossas flores sem esquecer que estamos no jardim.
Que possamos desfrutar sem estar sempre procurando a próxima coisa.
E que, de vez em quando, consigamos simplesmente parar...
respirar...
e perceber:
eu estou aqui.
REFLEXÃO
Em que momentos do meu dia estou fisicamente presente, mas mentalmente já estou em outro lugar?
Observe e anote no seu caderno.
EXERCÍCIO DA SEMANA
Uma vez por dia, escolha uma atividade simples que normalmente realiza no automático.
Pode ser tomar banho, comer, caminhar ou preparar um café.
Durante essa atividade, não faça outra coisa ao mesmo tempo.
Apenas esteja presente.
Quando perceber que a mente foi embora, volte para aquilo que está fazendo.
No final, repita silenciosamente:
Eu estou aqui.
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