Permaneça alguns instantes diante desta imagem, em silêncio.
Observe os dois campos: de um lado, a impermanência do corpo; do outro, a agitação criada por uma mente dominada pelo ódio, pelo medo e pelo desejo.
Pergunte a si mesmo:
Onde está a verdadeira batalha que preciso vencer?
Que esta imagem nos recorde que o maior campo de batalha não está fora de nós. Ele está na mente — e é ali que começa a verdadeira transformação.
INTRODUÇÃO
Sejam todos muito bem-vindos.
Encontre uma posição confortável.
Feche suavemente os olhos.
Respire profundamente.
Hoje o Buddha nos convida a olhar para duas verdades que podem transformar a nossa vida.
A primeira é que o nosso tempo é precioso.
Este corpo não permanecerá para sempre.
Um dia ele descansará.
Como acontece com todos os seres.
A segunda verdade talvez seja ainda mais importante.
Grande parte do sofrimento que vivemos não nasce apenas daquilo que acontece conosco.
Nasce da maneira como a nossa própria mente responde ao que acontece.
É comum acreditarmos que os nossos maiores inimigos estão lá fora.
Uma pessoa.
Uma situação.
Uma perda.
Uma dificuldade.
Mas hoje o Buddha nos convida a olhar em outra direção.
Para dentro.
Não para nos culpar.
Mas para perceber que existe um lugar onde a verdadeira transformação pode acontecer.
Durante a prática de hoje, observe a sua mente com gentileza.
Sem críticas.
Sem julgamentos.
Apenas observe.
Cada vez que você retorna ao momento presente, fortalece a capacidade de conduzir a própria vida com mais consciência.
Vamos praticar juntos.
ENSINAMENTO
Hoje o Buddha nos apresenta dois ensinamentos que, à primeira vista, parecem separados.
Mas, na verdade, eles falam da mesma prática.
Primeiro ele nos lembra:
"Em breve, este corpo estará estendido na terra, abandonado, sem consciência, como um tronco inútil."
Pode parecer uma imagem dura.
Mas ela não foi ensinada para gerar medo.
Foi ensinada para despertar.
(porque) Quando nos lembramos de que a vida é impermanente, começamos a valorizar o tempo que temos.
Cada respiração.
Cada encontro.
Cada oportunidade de praticar.
Cada gesto de bondade.
Tudo se torna mais precioso.
Não porque vai durar para sempre.
Mas justamente porque não vai.
Em seguida, o Buddha muda completamente a direção do nosso olhar.
Ele diz:
"O que quer que um inimigo faça a outro inimigo... uma mente mal direcionada pode causar um dano ainda maior."
Veja que ensinamento profundo.
Passamos muito tempo procurando os responsáveis pelo nosso sofrimento.
Às vezes culpamos as circunstâncias.
Às vezes culpamos outras pessoas.
Às vezes culpamos o passado.
Mas o Buddha nos convida a fazer uma pergunta diferente.
Como estou conduzindo a minha própria mente?
Isso não significa que as dificuldades externas não existam.
Elas existem.
As perdas existem.
As injustiças existem.
As doenças existem.
As palavras que machucam também existem.
Mas entre aquilo que acontece e a forma como respondemos existe um espaço.
É nesse espaço que a prática acontece.
É por isso que esta aula fala sobre responsabilidade.
Não sobre culpa.
Culpa nos paralisa.
Responsabilidade nos desperta.
Quando assumimos a responsabilidade pela maneira como conduzimos nossa mente, descobrimos que sempre existe algo que podemos cultivar.
E podemos cultivar...
Mais presença.
Mais vigilância.
Mais sabedoria.
Mais compaixão.
O verdadeiro campo de batalha não está nas pessoas.
Não está no mundo.
Ele acontece dentro da própria mente.
E cada vez que reconhecemos um pensamento de raiva antes de segui-lo...
Cada vez que percebemos um impulso antes de agir...
Cada vez que escolhemos respirar em vez de reagir...
Estamos vencendo uma batalha silenciosa.
Talvez ninguém perceba.
Mas a nossa mente percebe.
E pouco a pouco, ela começa a caminhar na direção da liberdade.
HARMONIZAÇÃO
Agora vamos deixar que essas palavras encontrem silêncio dentro de nós.
Relaxe os ombros.
Suavize o rosto.
Perceba o contato do corpo com o chão.
Não precisamos lutar contra a mente.
Precisamos apenas aprender a observá-la.
Respiração após respiração.
Escolha após escolha.
Respire profundamente.
E prepare o coração para a nossa oração.
PRECE
Que possamos reconhecer o valor deste momento.
Que possamos cuidar da nossa mente com a mesma dedicação com que cuidamos do nosso corpo.
Que possamos ter coragem para assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas.
Que eu desenvolva sabedoria para responder, em vez de apenas reagir.
Que esta prática beneficie a nós e a todos os seres.
SAMADHI
ĀNĀPĀNA SATI
Permaneça sentado.
Os olhos permanecem suavemente fechados – relaxados...
Leve toda a atenção para a respiração natural.
Não procure controlar o ar.
Apenas acompanhe cada inspiração.
E cada expiração.
Sempre que a mente se afastar...
Perceba.
Sem irritação.
Sem julgamento.
E retorne para a respiração.
Este é o treinamento.
Não impedir que a mente vagueie.
Mas aprender a conduzi-la de volta.
Cada retorno fortalece a consciência.
Cada retorno diminui o poder do impulso.
Respire.
Observe.
Retorne.
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
Conduzo minha mente com sabedoria.
COMPREENDENDO A FRASE-SEMENTE
O Buddha nos ensina que uma mente mal direcionada pode causar mais sofrimento do que qualquer inimigo externo.
Mas essa mesma mente também pode aprender um novo caminho.
Ela pode ser educada.
Orientada.
Cultivada.
Sempre que conduzimos a atenção de volta ao momento presente, fortalecemos essa capacidade.
Durante toda a prática de hoje, permita que esta frase acompanhe sua respiração:
"Conduzo minha mente com sabedoria."
MEDITAÇÃO / BHĀVANĀ
Permaneça sentado.
Com a coluna confortável.
Feche suavemente os olhos.
Respire naturalmente.
Hoje o Buddha nos convidou a lembrar que este corpo é impermanente.
Perceba o seu corpo exatamente como ele está agora.
Sinta a respiração.
Os batimentos do coração.
O contato do corpo com o chão.
Agradeça silenciosamente por este momento.
Por esta respiração.
Por esta oportunidade de praticar.
Nada disso é garantido para sempre.
E justamente por isso, tudo se torna precioso.
Agora observe a sua mente.
Sem lutar contra os pensamentos.
Apenas observe.
Talvez apareçam lembranças.
Planos.
Preocupações.
Desejos.
Tudo bem.
Continue apenas observando.
Imagine agora que você está diante de um grande campo.
Não existe nenhum inimigo diante de você.
Nenhuma batalha para travar com outras pessoas.
A única tarefa é observar a própria mente.
Cada pensamento de raiva.
Cada impulso.
Cada julgamento.
Cada medo.
Surgem.
Permanecem por alguns instantes.
E desaparecem.
Você não precisa segui-los.
Também não precisa expulsá-los.
Apenas reconheça sua presença.
E retorne à respiração.
Perceba que, cada vez que retorna, você está escolhendo uma direção.
Está conduzindo a mente.
Com paciência.
Com firmeza.
Com sabedoria.
Repita silenciosamente:
Conduzo minha mente com sabedoria.
Mais uma vez.
Conduzo minha mente com sabedoria.
Sempre que perceber a mente se afastando...
Observe.
Respire.
E volte.
Sem culpa.
Apenas com responsabilidade.
Assim, pouco a pouco, a mente aprende um novo caminho.
Permaneça de 15 a 30 minutos apenas respirando.
Em silêncio.
Na presença.
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