Amor Universal e Compaixão


CONTEMPLAÇÃO e REFLEXÃO
SOBRE A IMAGEM

Permaneça alguns instantes com esta imagem, em silêncio.
Assim como você, todos os seres desejam ser felizes e livres do sofrimento.
Permita que o coração se abra, sem esforço, sem limites.
Sinta a conexão que já existe com toda a vida.
Neste reconhecimento, nasce o amor… e a compaixão se torna natural.

INTRODUÇÃO AO TEMA
Sente-se a partir da postura tradicional do sentar: aproxime seus pés do quadril... erga e alinhe a sua coluna... relaxe seus ombros... abra seu coração com suavidade -sem rigidez - ... repouse suas mãos sobre os joelhos... alinhe sua cabeça, levando o queixo um pouquinho para dentro... toque a ponta da língua no céu da boca – logo atrás da raiz dos dentes superiores da frente - ... repouse seus olhos entreabertos na direção do solo.

Hoje, o nosso tema é:
“Lamrim: amor universal e compaixão…”
Mas, antes de falar de amor… antes de falar de compaixão… vamos começar em outro lugar…
Um lugar mais honesto… mais direto…

Perceba… neste momento…
Você sente todos os seres?
Ou sente apenas você?
Sinta isso com sinceridade…
Talvez você perceba… que a maior parte do tempo… você está dentro da sua própria experiência…
Dentro dos seus pensamentos… das suas sensações… das suas preocupações…
E o outro… fica muito distante…
Não porque você não se importa…, mas porque você não sente…

Respire…
E permita reconhecer isso… sem julgamento…

No Yoga Tibetano, não começamos criando algo…
Começamos sentindo o que já está aqui…
E talvez… o que está aqui… não seja ainda um coração aberto…
Mas um coração… que aprendeu a se proteger…

Volte a sentir o seu corpo…
Sinta o espaço interno…
E apenas reconheça… onde há fechamento…

ENSINAMENTO PROFUNDO
Nesse caminho gradual para o despertar, o amor universal e a compaixão não começam como um ideal…
Eles começam como um reconhecimento…
Um reconhecimento muito simples… e ao mesmo tempo profundo…

O Buddha ensinou:
“Todos tremem diante da violência; todos temem a morte.”
(Dhammapada)

Sinta isso…
Não como ideia…, mas como realidade…
Assim como você evita dor… todos evitam…
Assim como você deseja bem-estar… todos desejam…

Mas então… surge uma pergunta importante…
Se isso é verdade… por que não sentimos isso o tempo todo?
Por que o coração se fecha?
Por que a compaixão não é contínua?

Respire…
E talvez você perceba…
Que o problema não é falta de amor…
É falta de sensibilidade…
O coração não está fechado por maldade…, mas por proteção…
Por condicionamento…
Por hábito…

Tarthang Tulku ensina:
“Quando estamos tensos, nossa experiência se contrai e perdemos a capacidade de sentir plenamente.”
(Kum Nye Relaxation)

Perceba…
A tensão não é só física…
Ela é também emocional… mental…
E essa tensão cria uma barreira…
Entre você… e o outro…
Entre você… e a vida…

Volte a sentir a respiração…
Volte a sentir o corpo…
E talvez você perceba pequenos pontos de rigidez…
No peito… no abdômen… no rosto…
Essas tensões… são formas de proteção…
Mas também… limitam o sentir…

Chögyam Trungpa diz:
“O problema não é que não temos compaixão... o problema é que não conseguimos sustentar a abertura necessária para senti-la.”
(Training the Mind)

Isso é muito importante…
A compaixão não é fraca…
Ela exige presença…
Exige abertura…
Exige coragem…
Porque sentir o outro… é também sentir a dor…
E a mente… muitas vezes… evita isso…
Se protege… se fecha…

Mas veja…
Quando você não sente o outro… você também se isola…
E nesse isolamento… o sofrimento cresce…

O Dalai Lama ensina:
“Se você quer ser feliz, pratique a compaixão.”
(The Art of Happiness)

Mas isso não é uma regra moral…
É uma constatação…
Quando você se fecha… você se contrai…
Quando você se abre… você se expande…

No Yoga Tibetano, isso pode ser sentido diretamente…
Quando o corpo relaxa profundamente…a sensibilidade aumenta…
E, com isso… o coração começa a se abrir naturalmente…
Não como esforço…
Mas como consequência…

Thich Nhat Hanh diz:
“Compreender é amar.”
(How to Love)

E compreender… não é pensar…
É sentir profundamente…
É reconhecer que o outro não é tão diferente de você…

Respire…
Sinta…
E talvez… algo comece a se suavizar…

Lentamente, comece a mover o corpo…
Pequenos movimentos… nos dedos… nas mãos… nos pés…
Sem pressa…
E, quando sentir… sente-se…
Sente-se com dignidade… com suavidade…

PRECE
Leve as mãos ao coração…
E, internamente, recite…
Que eu possa reconhecer onde o meu coração se fecha… e desenvolver coragem para me abrir…
Que eu possa sentir os outros… não como ideias…, mas como seres vivos…
Que o amor e a compaixão surjam… não como obrigação…, mas como verdade…
Que todos os seres sejam livres do sofrimento… e encontrem verdadeira felicidade…

SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observação da respiração

ESCUTA
“Quando relaxo e sinto profundamente, o coração naturalmente se abre para todos os seres.”

COMPREENSÃO
Observe…
“Quando relaxo…”
O ponto de partida não é amar…
É relaxar…
Soltar as tensões… as defesas… as contrações…

“…e sinto profundamente…”
Não é pensar… é sentir…
Sentir o corpo… sentir o outro… sentir a vida…

“…o coração naturalmente se abre…”
Não é algo que você força…
É algo que acontece…

“…para todos os seres.”
Não apenas alguns…
Mas todos…
Porque a abertura verdadeira… não escolhe…

MEDITAÇÃO / BHAVANA por 15 minutos
Feche os olhos…
Sente-se com estabilidade…
Leve a atenção para a respiração…
Sinta o ar entrando…
Sinta o ar saindo…
Agora… leve a atenção para o peito…
Sinta…
Talvez haja tensão…
talvez haja neutralidade…
Apenas observe…

Agora… comece a relaxar essa região…
Sem forçar…
Apenas permitindo…
Inspire… criando espaço…
Expire… soltando…

Agora… traga à mente alguém querido…
E observe o que acontece no corpo…
Talvez haja calor… talvez abertura…
Sinta…

Agora… traga alguém neutro…
Observe…
A sensação muda…
Talvez menos intensidade…
Apenas sinta…

Agora… traga alguém difícil…
E observe…
Talvez o corpo se contraia…
Talvez haja resistência…
Não force…
Apenas reconheça…
Agora… ao invés de tentar mudar…
apenas relaxe…
Respire…
E permita que a sensação exista… sem defesa…
Sem rejeição…

Agora… amplie…
Inclua todos os seres…
Não como imagem…
Mas como sensação…
Como um campo…
E sinta…
É possível permanecer aberto?
Sem esforço…
Apenas relaxando…
Permaneça…

RELAXAMENTO PROFUNDO 
Agora… lentamente… deite-se novamente…
Solte completamente o corpo…
Como se estivesse sendo acolhido…
Respire profundamente uma vez…
E solte pela boca…
Agora… não há prática…
Apenas sentir…

Sinta o corpo como espaço…
Sinta a respiração fluindo…
E talvez… perceba…
Uma suavidade…
Uma abertura…
Sem esforço…

No Yoga Tibetano, quando o corpo relaxa profundamente… a separação diminui…
E o amor…não precisa ser criado…
Ele já está ali…

MENSAGEM FINAL
E leve essa compreensão com você…
O amor universal… não começa tentando amar a todos…
Ele começa… quando você relaxa… e começa a sentir…

A compaixão não é uma ideia…
É uma experiência…

Como disse Pema Chödrön:
“A compaixão começa quando nos permitimos sentir.”
(When Things Fall Apart)

E como ensinou o Buddha:
“Assim como uma mãe protege seu filho, assim deve-se cultivar um coração ilimitado.”
(Metta Sutta)

Que você possa continuar essa prática…
Sentindo mais… se protegendo menos… se abrindo mais…
E permitindo… que o coração… naturalmente… se revele…
Até o próximo encontro…

Nenhum comentário:

Postar um comentário