CONTEMPLAÇÃO DA IMAGEM
Permaneça alguns instantes com esta imagem, em silêncio.
Observe aquele que contempla do alto. Ele não olha para os outros com superioridade, mas com clareza e compaixão. A verdadeira sabedoria não afasta ninguém; ela amplia a capacidade de compreender o sofrimento humano sem ser arrastado por ele.
Antes de prosseguir, volte o olhar para dentro.
Quais ilusões, vaidades ou distrações ainda obscurecem sua visão? O que impede você de enxergar a vida com mais lucidez e, ao mesmo tempo, com mais amor?
Que esta imagem inspire o cultivo de uma vigilância humilde, capaz de elevar a mente sem endurecer o coração, para que a sabedoria floresça sempre acompanhada da compaixão.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Permita que todo o corpo seja sustentado pelo chão.
Feche os olhos.
Respire lentamente.
Sem esforço.
Agora imagine que você está subindo uma montanha.
No começo do caminho, sua atenção está voltada apenas para os próprios pés.
Cada passo exige cuidado.
Cada pedra pede atenção.
Mas, à medida que você sobe, algo curioso acontece.
A paisagem começa a mudar.
Aquilo que parecia enorme lá embaixo vai ficando pequeno.
Os caminhos aparecem com mais clareza.
O horizonte se amplia.
Veja que interessante.
Você não mudou a montanha.
Mudou apenas o lugar de onde a observa.
Talvez o crescimento espiritual seja exatamente isso.
A vida continua sendo a mesma.
Mas aprendemos a olhar para ela de outro lugar.
Respire profundamente.
E permita que uma pergunta permaneça dentro de você.
De onde tenho olhado para minha própria vida?
ENSINAMENTO
Hoje o Buddha utiliza uma imagem muito bonita.
Ele diz:
Verso 28
"Quando o sábio abandona a vaidade através da vigilância, ele, subindo ao alto da sabedoria, observa os ignorantes; livre do sofrimento, vê aqueles que ainda sofrem."
Veja que interessante.
O Buddha não diz que o sábio sobe uma montanha física.
Ele fala da montanha da sabedoria.
Essa subida representa uma transformação da consciência.
Quando começamos a praticar, enxergamos a vida apenas do ponto de vista do nosso ego.
Tudo gira ao redor de "eu".
Meu problema.
Minha opinião.
Minha vontade.
Meu sofrimento.
Mas, pouco a pouco, a prática amplia nosso olhar.
Começamos a perceber que todos carregam dificuldades.
Todos procuram felicidade.
Todos tentam evitar o sofrimento.
Essa compreensão muda completamente nossa relação com as pessoas.
O Buddha diz que o sábio abandona a vaidade através da vigilância.
Veja como essa frase é profunda.
A vaidade não desaparece porque alguém nos convenceu.
Ela diminui quando começamos a enxergar a realidade com mais clareza.
Quanto mais compreendemos a impermanência da vida, menos necessidade sentimos de provar alguma coisa.
Menos necessidade sentimos de competir.
Menos necessidade sentimos de parecer melhores.
É como subir uma montanha.
Lá de cima, percebemos que muitas disputas que pareciam enormes eram, na verdade, muito pequenas.
Depois o Buddha diz:
Final do verso 28
"Livre do sofrimento, vê aqueles que ainda sofrem."
Eu gosto muito dessa imagem.
Porque ela não transmite superioridade.
O sábio não olha para baixo com desprezo.
Olha com compaixão.
Ele reconhece naquele sofrimento algo que um dia também existiu dentro dele.
Isso é muito importante.
A verdadeira sabedoria nunca produz arrogância.
Ela produz compreensão.
Ela produz paciência.
Ela produz compaixão.
É exatamente por isso que um praticante maduro escuta mais.
Julga menos.
Acolhe mais.
Porque percebe que todos estamos aprendendo.
Na sequência, o Buddha diz:
Verso 29
"Vigilante entre os negligentes, desperto entre os adormecidos, o sábio avança como um corredor veloz, deixando os outros para trás."
Essa frase pode parecer competitiva.
Mas não é.
O Buddha não está incentivando uma corrida entre pessoas.
Ele está usando uma metáfora.
Imagine um corredor que acordou cedo para treinar.
Enquanto muitos ainda dormem, ele já está caminhando.
Da mesma forma, quem desperta para a consciência começa a viver de outro modo.
Não porque seja melhor.
Mas porque está mais desperto.
Talvez você já tenha percebido isso.
Quando aprendemos algo importante sobre nós mesmos, continuamos convivendo com as mesmas pessoas.
Mas começamos a reagir de forma diferente.
Aquilo que antes provocava uma explosão agora desperta apenas um sorriso.
Aquilo que antes gerava ansiedade agora é observado com mais calma.
A vida externa continua parecida.
Mas a vida interior mudou.
E isso faz toda a diferença.
Por fim, o Buddha diz:
Verso 30
"Pela vigilância, Maghavan (Indra) alcançou a liderança entre os deuses. As pessoas elogiam a vigilância; a negligência é sempre censurada."
Veja que bonito.
O Buddha utiliza Maghavan, conhecido como Indra, para mostrar que a verdadeira liderança não nasce do poder.
Nasce da qualidade da consciência.
Hoje costumamos pensar que liderança significa mandar.
Ser reconhecido.
Ter autoridade.
Mas o Buddha apresenta outra visão.
Liderar é inspirar.
É viver aquilo que ensinamos.
É caminhar de maneira coerente.
Uma pessoa verdadeiramente desperta influencia o ambiente sem precisar convencer ninguém.
Sua presença transmite serenidade.
Sua atitude transmite confiança.
Sua vida torna-se um ensinamento.
No Yoga Budista isso também acontece.
Você pode entrar em uma sala onde alguém está profundamente presente.
Mesmo sem dizer uma palavra, essa presença transforma o ambiente.
É uma liderança silenciosa.
Ela nasce da prática.
Não da aparência.
Talvez esse seja o grande ensinamento desta aula.
A sabedoria amplia nossa visão.
A vigilância desperta nossa consciência.
E a prática transforma naturalmente nossa maneira de estar no mundo.
Não para nos sentirmos superiores.
Mas para caminharmos com mais compaixão, mais clareza e mais responsabilidade.
Subir ao alto da montanha da sabedoria não significa afastar-se das pessoas.
Significa voltar para elas com um coração mais aberto.
SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observar a respiração
ESCUTA (FRASE-SEMENTE)
O sábio, "Subindo ao alto da sabedoria, livre do sofrimento, vê aqueles que ainda sofrem."
(Dhammapada 28)
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
A verdadeira sabedoria não nos afasta das pessoas.
Ela nos aproxima delas com mais compreensão.
Quando ampliamos nossa visão, percebemos que todos enfrentam desafios e todos desejam ser felizes.
Essa percepção desperta naturalmente a compaixão.
MEDITAÇÃO — BHAVANA
Feche suavemente os olhos.
Observe a respiração.
Imagine que você está no alto de uma montanha.
À sua frente existe um horizonte amplo.
Lá embaixo estão as situações que hoje ocupam sua mente.
Observe-as desse novo lugar.
Sem rejeição.
Sem apego.
Apenas observe.
Agora imagine que cada pessoa que faz parte da sua vida também deseja paz, assim como você.
Permita que esse sentimento de compreensão cresça lentamente.
Respire.
Permaneça por 15 a 30 minutos instantes contemplando a vida desse lugar mais amplo.
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