Permaneça alguns instantes diante desta imagem, em silêncio.
Observe os dois caminhos: de um lado, a mente dispersa pelos desejos e excessos; do outro, a estabilidade daquele que cultiva presença, moderação e disciplina.
Pergunte a si mesmo:
O que hoje enfraquece minha mente? E o que posso cultivar para torná-la firme?
A verdadeira força não está em controlar o mundo ao nosso redor, mas em aprender a permanecer estáveis diante dele.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Sente-se a partir da postura tradicional do sentar.
Permita que o corpo encontre repouso.
Feche os olhos.
E imagine por um instante que você está diante de um lago extremamente tranquilo.
Nenhuma onda.
Nenhum vento.
Nenhuma perturbação.
A superfície da água é tão serena que reflete perfeitamente o céu.
Agora imagine uma pequena pedra sendo lançada nesse lago.
Uma única pedra.
Instantaneamente surgem círculos.
Ondas.
Movimentos.
Perturbações.
A água continua sendo água.
Mas sua superfície perde a clareza.
Respire profundamente.
Observe sua mente.
Quantas pedras são lançadas nela todos os dias?
Imagens.
Notícias.
Conversas.
Preocupações.
Desejos.
Memórias.
Redes sociais.
Ruídos.
Estimulações constantes.
Talvez a maior dificuldade do ser humano moderno não seja a falta de informação.
Talvez seja exatamente o excesso.
O excesso de estímulos.
O excesso de impulsos.
O excesso de distrações.
O excesso de desejos.
Respire lentamente.
O Buddha compreendeu algo profundamente importante:
Uma mente dispersa perde sua energia.
perde sua estabilidade.
torna-se vulnerável.
Por isso os versos de hoje falam sobre vigilância dos sentidos.
para proteger aquilo que existe de mais precioso.
Sua consciência.
Sua energia vital.
Sua capacidade de permanecer presente.
Permaneça respirando.
E permita que esta aula seja uma investigação sincera.
Para onde sua energia está indo?
O que alimenta sua mente?
O que fortalece sua presença?
O que enfraquece sua clareza?
ENSINAMENTO PROFUNDO
O Buddha utiliza uma imagem extremamente poderosa.
Ele fala de uma árvore fraca.
E fala de uma montanha.
A árvore fraca é derrubada pelo vento.
A montanha permanece.
O vento continua soprando.
Mas ela permanece.
O problema não é o vento.
O problema é a falta de estabilidade.
Observe isso.
O mundo continuará apresentando desafios.
Continuará oferecendo distrações.
Continuará estimulando desejos.
Continuará produzindo mudanças.
Mas o verdadeiro praticante não busca controlar o mundo.
Busca desenvolver estabilidade interior.
O Buddha chama essa estabilidade de vigilância.
E vigilância não significa tensão.
Não significa ficar alerta de forma rígida.
Significa estar consciente.
Presente.
Desperto.
A vigilância começa nas coisas simples.
Ela começa quando você realmente sabe o que está fazendo.
Respire.
Hoje vivemos em uma cultura profundamente baseada na distração.
Comemos distraídos.
Conversamos distraídos.
Caminhamos distraídos.
Respiramos distraídos.
Até mesmo descansamos distraídos.
A mente salta constantemente de objeto em objeto.
De desejo em desejo.
De estímulo em estímulo.
E pouco a pouco a energia vital se dispersa.
Lama Yeshe ensinava:
“Sua mente é muito mais poderosa do que imagina. O problema é que ela raramente permanece em um só lugar.”
— Becoming Your Own Therapist
Respire profundamente.
Observe sua própria experiência.
Quantas vezes você começou algo e não terminou?
Quantas vezes sua mente mudou de direção antes mesmo de concluir o primeiro passo?
Essa dispersão produz exaustão.
Produz enfraquecimento.
Seu estado mental é a voz que diz:
"Depois eu pratico."
"Depois eu medito."
"Depois eu cuido de mim."
"Depois eu desperto."
E você permanece sempre distraído...
Sempre inconsciente
Sempre no automático
Respire.
Tenzin Wangyal Rinpoche ensina:
“Toda vez que perdemos contato com a presença, perdemos contato com nossa verdadeira fonte de energia.”
— Awakening the Sacred Body
Perceba a profundidade disso.
A energia vital não é criada apenas pela alimentação.
Nem apenas pelo sono.
Nem apenas pelos exercícios.
Ela nasce também da qualidade da consciência.
Uma mente dispersa desperdiça energia.
Uma mente presente gera energia.
Pensar sem parar consome energia.
Preocupar-se o tempo todo consome energia.
Desejar sem parar consome energia.
Julgar sem parar consome energia.
Respire profundamente.
Agora observe o corpo.
Talvez exista tensão nos olhos.
Talvez exista tensão na testa.
Talvez exista tensão na mandíbula.
Talvez exista tensão no peito.
Muitas vezes essa tensão é resultado de excesso de estímulo.
O sistema nervoso não descansa.
Os sentidos nunca repousam.
A mente nunca repousa.
E a energia vital se dispersa.
A diferença está na presença.
A diferença está na vigilância.
A diferença está na clareza.
Observe.
Uma montanha não resiste ao vento.
Ela simplesmente permanece.
Uma montanha não luta contra a tempestade.
Ela simplesmente permanece.
O praticante também aprende isso.
Não luta contra cada pensamento.
Não luta contra cada emoção.
Não luta contra cada impulso.
Mas desenvolve estabilidade.
Desenvolve presença.
Desenvolve enraizamento.
E pouco a pouco torna-se como uma montanha.
Firme.
Aberto.
Presente.
Silencioso.
Imóvel em seu centro, mesmo quando tudo ao redor se move.
HARMONIZAÇÃO
Permita que a coluna cresça.
Imagine que existe uma montanha dentro de você.
Uma montanha antiga.
Imóvel.
Silenciosa.
Serena.
Agora imagine que os pensamentos são nuvens.
As emoções são ventos.
As preocupações são tempestades passageiras.
Mas a montanha permanece.
Respire.
Inspire estabilidade.
Expire dispersão.
Inspire presença.
Expire excesso.
Inspire energia.
Expire tensão.
Agora leve atenção aos cinco sentidos.
O que você escuta?
O que sente na pele?
O que percebe internamente?
Não siga os estímulos.
Apenas reconheça.
E retorne.
Retorne.
Retorne.
Retorne.
Como quem retorna para casa.
PRECE
Que eu desenvolva vigilância sem rigidez.
Que eu proteja minha energia sem medo.
Que eu utilize meus sentidos com sabedoria.
Que minha mente encontre estabilidade.
Que minha prática seja firme como uma montanha.
Que eu desperte para a presença em cada instante.
Que todos os seres encontrem clareza, equilíbrio e paz.
SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observar a respiração
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
“Aquele que vive sem buscar prazeres, com os sentidos bem controlados, moderado na alimentação, fiel e forte, o impulso (Māra) certamente não o derruba, assim como o vento não derruba uma montanha rochosa.”
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
O Buddha está ensinando liberdade.
Uma pessoa escravizada pelos impulsos acredita que é livre.
Mas está sendo conduzida por condicionamentos.
O praticante aprende algo diferente.
Aprende a escolher.
Aprende a observar.
Aprende a responder conscientemente.
A verdadeira liberdade não é fazer tudo o que se deseja.
É não ser obrigado a seguir todo desejo que surge.
MEDITAÇÃO / BHAVANA
Feche os olhos.
Sinta o corpo.
Sinta o peso do corpo.
Sinta a respiração.
Agora leve atenção aos sons.
Apenas escute.
Sem interpretar.
Sem seguir.
Sem comentar.
Escute.
Agora leve atenção às sensações corporais.
Calor.
Contato.
Peso.
Vibração.
Observe.
Agora perceba os pensamentos.
Não entre neles.
Apenas reconheça sua presença.
E retorne ao corpo.
Retorne à respiração.
Retorne à sensação.
Imagine agora uma montanha.
Você está sentado no topo dessa montanha.
Os ventos sopram.
As nuvens passam.
As tempestades surgem.
Mas algo permanece imóvel.
Esse centro silencioso existe dentro de você.
Permaneça repousando nele.
Respire.
Sinta.
Permaneça de 15 a 30 minutos experienciando esse silêncio.
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