Permaneça alguns instantes em silêncio diante desta imagem.
Lembre-se de que tudo aquilo que hoje parece permanente está, na verdade, passando. A consciência da morte não precisa trazer medo; pode trazer presença, simplicidade e liberdade.
Se eu soubesse que este momento é precioso porque não voltará, como escolheria vivê-lo agora?
INTRODUÇÃO AO TEMA
Sente-se a partir da postura tradicional do sentar
Permita que o corpo encontre repouso.
Não procure uma posição perfeita.
Apenas permita que o corpo seja sustentado pela terra.
Feche os olhos.
E durante alguns instantes, não faça nada.
Não tente meditar.
Não tente relaxar.
Não tente melhorar a experiência.
Apenas esteja aqui.
Respire.
Perceba o ar entrando.
Perceba o ar saindo.
Uma respiração.
Depois outra.
E outra.
Cada respiração surge.
Permanece por um instante.
E desaparece.
Nenhuma respiração pode ser guardada.
Nenhuma pode ser repetida.
Nenhuma pode ser possuída.
A vida inteira está contida nisso.
Tudo surge.
Tudo permanece por algum tempo.
Tudo desaparece.
Imagine agora uma folha repousando sobre a superfície de um lago.
O vento sopra.
A folha se move.
As águas mudam.
A luz muda.
As nuvens mudam.
Nada permanece igual.
E, ainda assim, passamos grande parte da vida tentando fazer exatamente o contrário.
Tentando segurar aquilo que muda.
Tentando impedir aquilo que naturalmente se transforma.
Tentando controlar aquilo que nunca esteve sob nosso controle.
Respire profundamente.
Hoje iremos contemplar um dos ensinamentos mais libertadores do Dhamma.
Um ensinamento que não fala sobre pessimismo.
Não fala sobre tristeza.
Não fala sobre perda.
Fala sobre despertar.
Fala sobre viver.
Fala sobre compreender o valor deste instante.
O Buddha disse:
“O mundo não compreende que todos nós chegaremos ao fim aqui; mas aqueles que compreendem isso, seus conflitos cessam imediatamente.”
Permita que essas palavras repousem suavemente dentro de você.
Sem pressa.
Sem análise.
Como uma semente lançada em solo fértil.
ENSINAMENTO PROFUNDO
A maioria das pessoas vive como se tivesse tempo infinito.
Agimos como se sempre houvesse amanhã.
Como se sempre existisse outra oportunidade.
Outra conversa.
Outro abraço.
Outro momento.
Mas a realidade da existência é diferente.
Tudo é impermanente.
O Buddha ensinou repetidamente:
“Todos os fenômenos condicionados são impermanentes.”
— Mahāparinibbāna Sutta (DN 16)
Essa não é apenas uma ideia filosófica.
É uma descrição da vida.
Observe o corpo.
O corpo mudou desde a infância.
Mudou na adolescência.
Mudou há dez anos.
Mudou no ano passado.
Mudou esta manhã.
Neste exato instante, células morrem e nascem.
Respire.
Observe a mente.
Pensamentos surgem e desaparecem.
Emoções surgem e desaparecem.
Sensações surgem e desaparecem.
Nenhuma experiência permanece.
E, ainda assim, sofremos porque desejamos permanência onde existe mudança.
Jetsunma Tenzin Palmo ensina:
“A impermanência não é um erro da existência. É a própria natureza da existência.”
— Reflections on a Mountain Lake
Respire lentamente.
Perceba como a mente luta contra essa verdade.
Queremos que a juventude permaneça.
Queremos que as pessoas permaneçam.
Queremos que as situações permaneçam.
Queremos que os momentos felizes permaneçam.
Mas tudo muda.
Tudo flui.
Tudo passa.
E quando compreendemos isso profundamente, algo extraordinário acontece.
Os conflitos começam a perder força.
Aquilo que parecia tão importante já não parece tão importante.
Aquilo que parecia urgente deixa de ser urgente.
Aquilo que parecia indispensável perde sua rigidez.
O verso 6 do Dhammapada é profundamente radical.
O Buddha afirma que aqueles que compreendem verdadeiramente a morte deixam de alimentar conflitos.
Por quê?
Porque enxergam a realidade.
Percebem que todos estão caminhando para o mesmo destino.
O rico.
O pobre.
O jovem.
O idoso.
O sábio.
O ignorante.
Todos caminham em direção ao mesmo horizonte.
Nagarjuna escreveu:
“Tudo aquilo que surge em dependência é vazio de existência permanente.”
— Mulamadhyamakakarika
Nada pode ser possuído.
Nada pode ser retido para sempre.
Nada pode ser controlado completamente.
Respire.
Talvez isso pareça assustador.
Mas observe com atenção.
Talvez seja justamente o contrário.
Talvez seja libertador.
Quando você percebe que tudo muda, surge gratidão.
Quando percebe que tudo passa, surge presença.
Quando percebe que nada é garantido, surge urgência espiritual.
Não urgência baseada em medo.
Mas urgência baseada em lucidez.
Matthieu Ricard escreve:
“A consciência da impermanência não nos torna pessimistas; torna cada momento precioso.”
— Happiness
Observe quantas horas da vida são gastas alimentando preocupações que nunca se concretizam.
Quantos dias são consumidos por ressentimentos.
Quantos anos são desperdiçados em disputas.
Quantas energias são investidas em proteger uma imagem imaginária de si mesmo.
E então, um dia, tudo termina.
O corpo retorna à terra.
Os títulos desaparecem.
Os papéis desaparecem.
As posses desaparecem.
O que permanece?
O Dhamma responde:
A qualidade da mente.
As ações realizadas.
A sabedoria cultivada.
A compaixão desenvolvida.
A consciência despertada.
Respire profundamente.
No Kum Nye existe um ensinamento muito bonito.
Tarthang Tulku diz que relaxar profundamente nos aproxima da realidade porque dissolve a ilusão de controle.
“Quando relaxamos profundamente, paramos de lutar contra a experiência.”
— Kum Nye Relaxation
Perceba.
Grande parte da tensão do corpo nasce da tentativa de controlar aquilo que não pode ser controlado.
Controlar o tempo.
Controlar os outros.
Controlar o futuro.
Controlar a vida.
Mas a vida não pode ser controlada.
Pode ser vivida.
Pode ser sentida.
Pode ser honrada.
Pode ser despertada.
Osho dizia:
“A morte não é o oposto da vida. A morte é parte da vida.”
— The Book of Secrets
Quando compreendemos isso, algo amolece.
As exigências diminuem.
Os julgamentos diminuem.
A necessidade de vencer diminui.
Os conflitos perdem importância.
A mente relaxa.
O coração se abre.
E começamos a perguntar:
Se o tempo é precioso...
Como desejo viver?
Se a vida é breve...
O que realmente importa?
Se tudo passa...
O que vale a pena cultivar?
Respire.
Permaneça alguns instantes contemplando essas perguntas.
Sem buscar respostas intelectuais.
Permita que o corpo responda.
Permita que o coração responda.
Permita que o silêncio responda.
HARMONIZAÇÃO
Lentamente movimente o corpo.
Sente-se suavemente.
Permita que a coluna cresça em direção ao céu.
Imagine que você está sentado sobre o topo de uma montanha antiga.
Uma montanha que observou gerações nascerem e desaparecerem.
Chuvas vieram.
Tempestades vieram.
Estações passaram.
Civilizações surgiram e desapareceram.
E a montanha permaneceu observando.
Agora sinta sua respiração.
Cada inspiração surge.
Cada expiração desaparece.
Nenhuma delas pode ser segurada.
Apenas recebida.
Agora coloque uma mão sobre o coração.
Outra sobre o abdômen.
E repita internamente:
"Este momento é precioso."
"Esta respiração é preciosa."
"Esta vida é preciosa."
Inspire gratidão.
Expire entrega.
Inspire presença.
Expire controle.
Permaneça alguns instantes assim.
PRECE
Que eu me recorde da impermanência sem medo.
Que eu utilize meu tempo com sabedoria.
Que eu não desperdice esta vida em conflitos inúteis.
Que eu reconheça o valor deste instante.
Que eu cultive compaixão, presença e clareza.
Que todos os seres encontrem o caminho da libertação.
SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observar a respiração
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
FRASE-SEMENTE
“O mundo não compreende que todos nós chegaremos ao fim aqui; mas aqueles que compreendem isso, seus conflitos cessam imediatamente.”
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
O Buddha não está tentando assustar ninguém.
Ele está despertando.
Quando esquecemos a impermanência, vivemos adormecidos.
Quando lembramos da impermanência, começamos a viver de verdade.
A consciência da morte não diminui a vida.
Ela ilumina a vida.
Ela revela prioridades.
Ela mostra o que realmente importa.
Ela dissolve muitos conflitos que ocupam espaço desnecessário dentro do coração.
MEDITAÇÃO / BHAVANA
Feche os olhos.
Sinta a respiração.
Natural.
Suave.
Agora imagine que esta respiração é única.
Porque ela realmente é.
Nunca existiu antes.
Nunca existirá novamente.
Receba-a completamente.
Agora contemple:
Um dia haverá uma última respiração.
Não com medo.
Não com tristeza.
Apenas como realidade.
Observe o que surge.
Talvez gratidão.
Talvez resistência.
Talvez silêncio.
Permita.
Agora pergunte internamente:
Se minha vida fosse breve...
O que merece minha energia?
O que merece meu amor?
O que merece minha atenção?
Permaneça alguns instantes ouvindo.
Respire.
Sinta.
Presencie.
E então repouse completamente neste instante.
O único momento que realmente existe.
Permaneça por 15 a 30 minutos.
Permaneça por 15 a 30 minutos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário