Permaneça alguns instantes diante desta imagem, em silêncio.
Observe os dois caminhos e reconheça que cada escolha deixa uma marca na mente. O que repetimos diariamente, pouco a pouco, transforma-se em nossa maneira de viver.
Pergunte a si mesmo:
Que caminho estou fortalecendo com minhas ações de hoje?
Que esta imagem nos recorde: não nos tornamos aquilo que desejamos ser, mas aquilo que praticamos.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Permita que o corpo encontre repouso.
Feche os olhos.
Sinta o peso do corpo sendo sustentado pela terra.
Não há nada para fazer agora.
Não há nada para resolver.
Apenas respire.
E eu gostaria de começar nossa prática de hoje com uma pergunta muito simples.
Pare e pense por um instante.
Quem você é hoje?
Não responda rapidamente.
Observe.
Quem você é hoje?
Talvez a primeira resposta seja seu nome.
Sua profissão.
Sua história.
Mas eu gostaria de olhar um pouco mais profundamente.
Quem você é hoje talvez seja o resultado de milhares de pequenas escolhas.
Milhares de pensamentos.
Milhares de palavras.
Milhares de ações.
Veja que interessante.
Uma árvore não aparece de repente.
Ela cresce lentamente.
Dia após dia.
Estação após estação.
Da mesma forma, nossa mente também é construída.
Não em grandes momentos.
Mas nos pequenos gestos repetidos diariamente.
Respire profundamente.
Talvez você já tenha percebido isso.
Uma palavra dita com carinho deixa uma marca.
Uma palavra dita com agressividade também deixa uma marca.
Um gesto de generosidade deixa uma marca.
Um gesto de egoísmo também deixa uma marca.
Pouco a pouco vamos construindo a mente que habitamos.
E hoje vamos explorar exatamente isso.
Como nossas ações moldam nossa experiência.
Como o carma não é uma punição.
Nem uma recompensa.
Mas um processo contínuo de construção interior.
ENSINAMENTO PROFUNDO
O Buddha fala algo muito bonito nos versos de hoje.
Ele diz:
"O malfeitor sofre neste mundo e sofre no próximo; sofre em ambos. Ele sofre ao ver o mal de suas próprias ações."
E depois diz:
"O virtuoso se alegra neste mundo e se alegra no próximo; se alegra em ambos. Ele se alegra ao ver a pureza de suas próprias ações."
Veja que interessante.
Muitas pessoas escutam esses versos e imaginam que o Buddha está falando sobre recompensa e castigo.
Mas eu entendo que ele está falando de algo muito mais profundo.
Ele está falando sobre a mente.
Porque toda ação deixa uma impressão.
Toda ação deixa uma direção.
Toda ação deixa uma marca.
Pare e pense por um instante.
Quando você age com generosidade, como se sente depois?
Quando ajuda alguém sinceramente?
Quando age com honestidade?
Quando faz algo bom sem esperar nada em troca?
Existe uma sensação.
Uma leveza.
Uma abertura.
Uma tranquilidade silenciosa.
Não porque alguém recompensou você.
Mas porque a própria ação já continha sua consequência.
Agora observe o contrário.
Quando agimos movidos pela raiva.
Pela inveja.
Pela agressividade.
Pela mentira.
O que acontece?
Mesmo que ninguém descubra.
Mesmo que ninguém veja.
Algo acontece dentro de nós.
A mente registra.
O coração registra.
A consciência registra.
E aqui existe algo muito importante.
O Buddha não está falando de culpa.
Ele está falando de lucidez.
A culpa paralisa.
A lucidez transforma.
Respire profundamente.
Goenka costumava dizer que cada ação gera uma impressão na mente.
E essas impressões se tornam hábitos.
Os hábitos se tornam tendências.
E as tendências se tornam destino.
Veja como isso é profundo.
Porque o carma não é algo que acontece conosco.
O carma é algo que estamos criando continuamente.
Neste exato momento.
Através das nossas palavras.
Das nossas escolhas.
Da nossa intenção.
Bhikkhu Bodhi costuma explicar que karma significa ação intencional.
Não qualquer ação.
Mas ações movidas pela intenção.
E isso muda tudo.
Porque o Buddha está nos convidando a observar não apenas o que fazemos.
Mas de onde fazemos.
Qual é a intenção?
Qual é a motivação?
Qual é a energia que está por trás da ação?
Respire.
E então chegamos aos versos 17 e 18.
O Buddha aprofunda ainda mais.
Ele diz:
"O malfeitor sofre ao lembrar do mal que fez e sofre ainda mais ao seguir pelo caminho do mal."
E depois:
"O virtuoso é feliz ao lembrar do bem que fez e ainda mais feliz ao seguir o caminho do bem."
Eu gosto muito desses versos.
Porque eles mostram que a felicidade não é apenas um resultado.
Ela também é um caminho.
Da mesma forma que o sofrimento não é apenas uma consequência.
Ele também pode se tornar um hábito.
Talvez você já tenha percebido isso.
Existem pessoas que treinam a reclamação diariamente.
Treinam a crítica diariamente.
Treinam o ressentimento diariamente.
E sem perceber transformam isso em uma maneira de viver.
Mas também existem pessoas que treinam a gratidão.
Treinam a generosidade.
Treinam a presença.
Treinam a compaixão.
E pouco a pouco transformam essas qualidades em sua natureza.
Shantideva diz algo muito bonito:
"Não existe sofrimento que não possa ser transformado através do treinamento da mente."
Veja que palavra interessante.
Treinamento.
Não inspiração.
Não milagre.
Não acaso.
Treinamento.
O Dharma é prática.
O Dharma é repetição.
O Dharma é incorporação.
O Dharma é aquilo que fazemos quando ninguém está olhando.
E aqui começamos a compreender melhor uma verdade muito simples.
Nós nos tornamos aquilo que praticamos.
Se praticamos irritação.
Fortalecemos irritação.
Se praticamos presença.
Fortalecemos presença.
Se praticamos compaixão.
Fortalecemos compaixão.
Se praticamos distração.
Fortalecemos distração.
O Buddha está nos convidando para uma enorme responsabilidade.
Mas também para uma enorme liberdade.
Porque se nossas ações constroem a mente.
Então novas ações também podem transformá-la.
Respire profundamente.
E permita que essa compreensão encontre espaço dentro de você.
HARMONIZAÇÃO
Lentamente movimente o corpo.
Sente-se.
Permita que a coluna cresça suavemente.
Coloque as mãos sobre os joelhos.
Respire.
E eu gostaria que você percebesse algo.
Neste exato momento você está cultivando alguma coisa.
Sempre estamos cultivando alguma coisa.
A questão é:
O que estamos cultivando?
Presença?
Distração?
Paciência?
Impaciência?
Compaixão?
Julgamento?
Respire profundamente.
Inspire consciência.
Expire automatismo.
Inspire presença.
Expire dispersão.
Inspire clareza.
Expire confusão.
Permaneça alguns instantes sentindo isso.
PRECE
Que minhas ações sejam guiadas pela sabedoria.
Que minhas palavras sejam guiadas pela compaixão.
Que meus pensamentos sejam guiados pela consciência.
Que eu cultive aquilo que desejo ver florescer.
Que eu desenvolva presença, bondade e discernimento.
Que minhas ações beneficiem a mim e aos outros.
Que todos os seres encontrem o caminho da paz.
SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observar a respiração
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
Eu me torno aquilo que pratico.
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
Veja que interessante.
Nós nos preocupamos muito com aquilo que pensamos.
Mas talvez devêssemos observar mais aquilo que repetimos.
Porque aquilo que repetimos se torna hábito.
Aquilo que se torna hábito molda a mente.
Aquilo que molda a mente molda a vida.
O Buddha está nos lembrando que a transformação acontece através da prática.
Não através da teoria.
Não através do desejo.
Mas através da repetição consciente.
MEDITAÇÃO / BHAVANA
Feche os olhos.
Respire.
Não tente mudar nada.
Apenas observe.
Observe sua vida.
Observe seus hábitos.
Observe aquilo que você tem praticado diariamente.
Não aquilo que você gostaria de praticar.
Mas aquilo que realmente pratica.
Respire.
Pergunte silenciosamente:
O que estou cultivando?
O que estou fortalecendo?
O que estou repetindo?
Permaneça alguns instantes com essas perguntas.
Sem julgamento.
Sem culpa.
Apenas observando.
Agora respire.
E reconheça uma qualidade que deseja fortalecer.
Talvez presença.
Talvez paciência.
Talvez compaixão.
Talvez serenidade.
Permaneça sentindo essa qualidade por 15 a 30 minutos...
Respire.
E permita que ela encontre espaço dentro de você.
Silêncio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário