Treinamento mental e proteção interior


CONTEMPLAÇÃO DA IMAGEM

Observe a imagem em silêncio e perceba a diferença entre uma mente desprotegida e uma mente cultivada.

Assim como uma casa bem coberta não teme a chuva, uma mente treinada não precisa temer cada impulso que surge.

O que tenho feito hoje para proteger e fortalecer minha mente?

INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Permita que o corpo encontre apoio na terra.
Feche os olhos.
Sinta a respiração acontecendo sem esforço.
Sinta o corpo sendo sustentado.

E eu gostaria de começar nossa prática de hoje com uma pergunta muito simples.
Você já observou um jardim?
Não um jardim perfeito.
Um jardim real.
Daqueles que precisam ser cuidados.
Daqueles que precisam de atenção.
Daqueles que precisam de presença.

Veja que interessante...
Ninguém planta uma árvore hoje esperando sentar em sua sombra amanhã.
Ninguém planta uma semente pela manhã esperando colher seus frutos à tarde.
Todos nós compreendemos isso.

Mas, curiosamente, quando falamos da mente, muitas vezes esquecemos essa sabedoria.
Queremos paz rapidamente.
Queremos clareza rapidamente.
Queremos estabilidade rapidamente.
Queremos silêncio interior rapidamente.

E talvez seja justamente aqui que o Buddha nos convida a olhar com mais profundidade.
A mente se parece muito mais com um jardim do que com uma máquina.
Ela precisa ser cultivada.
Ela precisa ser observada.
Ela precisa ser cuidada.
Respire profundamente.

Os versos de hoje utilizam a imagem de uma casa.
Uma casa bem cuidada.
Uma casa mal cuidada.

Mas eu gosto de pensar que essa casa também é um jardim.
Porque uma mente descuidada se parece muito com um jardim abandonado.
As ervas crescem sozinhas.
Os excessos crescem sozinhos.
A desatenção cresce sozinha.
A confusão cresce sozinha.

Mas a clareza precisa ser cultivada.
A presença precisa ser cultivada.
A sabedoria precisa ser cultivada.
Respire.

Talvez você já tenha percebido isso.
Existem momentos em que pequenas situações nos perturbam profundamente.
E existem momentos em que grandes dificuldades surgem e ainda assim permanecemos estáveis.
O que mudou?
Muitas vezes não foi o mundo.
Foi a condição da mente.
Foi a qualidade da atenção.
Foi o cuidado com o jardim interior.

Hoje vamos explorar exatamente isso.
Como cultivar a mente.
Como cuidar da atenção.
Como desenvolver uma presença estável.
Não através da força.
Não através do controle.
Mas através da consciência.

ENSINAMENTO PROFUNDO
O Buddha fala de uma forma muito bonita quando diz:
"Assim como a chuva penetra em uma casa mal coberta, a paixão penetra em uma mente descuidada." 

Veja que interessante.
Ele não fala de uma mente má.
Não fala de uma mente defeituosa.
Ele fala de uma mente descuidada.
E existe uma enorme diferença.
Porque uma mente descuidada é apenas uma mente que precisa de atenção.

Pare e pense por um instante.
Se você deixa um jardim sem cuidados durante meses, o que acontece?
As ervas crescem.
Os excessos crescem.
A desordem aparece.
Não porque alguém criou essa desordem.
Mas porque ninguém estava cuidando.

A mente funciona de maneira muito parecida.
Quando não observamos nossos pensamentos, eles se repetem.
Quando não observamos nossos medos, eles crescem.
Quando não observamos nossos hábitos, eles se fortalecem.

E sem perceber começamos a viver automaticamente.
Talvez você já tenha experimentado isso.
O corpo está aqui.
Mas a mente está em outro lugar.
A conversa acontece.
Mas você não está realmente ouvindo.
A vida acontece.
Mas você não está realmente presente.

Eu gosto muito de uma pergunta que os versos de hoje nos fazem.
Quem está cuidando da sua mente?
Porque cuidamos do corpo.
Cuidamos da casa.
Cuidamos do trabalho.
Cuidamos dos compromissos.

Mas quem está cuidando da mente?
Quem está observando os pensamentos?
Quem está percebendo os hábitos?
Quem está reconhecendo os padrões repetitivos?

Tarthang Tulku ensina que grande parte do sofrimento humano surge porque não habitamos verdadeiramente nossa própria experiência.
Estamos sempre em outro lugar.
Pensando no futuro.
Revivendo o passado.
Projetando cenários.
Imaginando possibilidades.
Enquanto isso, a vida continua acontecendo aqui.
Agora.
Neste instante.
Respire.

Mingyur Rinpoche diz algo que eu gosto muito:
"A meditação não consiste em criar uma mente perfeita. Consiste em tornar-se íntimo da própria mente."

Que ensinamento bonito.
Porque talvez o objetivo da prática não seja construir uma mente diferente.
Talvez seja conhecer profundamente a mente que já existe.
Conhecer seus movimentos.
Conhecer suas tendências.
Conhecer suas distrações.
Conhecer seus medos.
Conhecer seus condicionamentos.
E pouco a pouco desenvolver amizade com ela.

Agora começamos a compreender melhor o segundo verso.
"Assim como a chuva não penetra em uma casa bem coberta, a paixão não penetra em uma mente bem cultivada." 
Veja que importante.

O Buddha não promete um mundo sem chuva.
A chuva continuará existindo.
As emoções continuarão existindo.
Os pensamentos continuarão existindo.
Os desafios continuarão existindo.

Mas uma mente cultivada responde de maneira diferente.
Ela possui espaço.
Ela possui estabilidade.
Ela possui presença.
Ela possui consciência.

E é exatamente isso que Shamatha procura desenvolver.
A capacidade de permanecer.
Permanecer com a respiração.
Permanecer com o corpo.
Permanecer com a experiência.
Permanecer com a vida.
Sem fugir.
Sem agarrar.
Sem rejeitar.
Apenas presente.
Apenas consciente.
Apenas desperto.

Respire profundamente.
E permita que essa compreensão encontre um lugar dentro de você.
Porque talvez o treinamento espiritual seja muito mais simples do que imaginamos.
Talvez ele comece apenas com um pequeno gesto.
Cuidar do jardim.
Cuidar da casa.
Cuidar da mente.
Um instante de cada vez.

HARMONIZAÇÃO
Lentamente movimente o corpo.
Sem pressa.
Sente-se.
Permita que a coluna cresça naturalmente.

E eu gostaria que você percebesse algo.
Durante muito tempo talvez tenhamos tentado mudar o mundo inteiro.
Mudar as pessoas.
Mudar as circunstâncias.
Mudar os acontecimentos.

Mas hoje o Buddha nos convida a algo mais simples.
Cuidar da mente.
Cuidar da consciência.
Respire.

Inspire sentindo estabilidade.
Expire sentindo suavidade.
Inspire presença.
Expire distração.
Inspire clareza.
Expire tensão.

PRECE
Que eu aprenda a cuidar da minha mente com sabedoria.
Que eu desenvolva uma atenção estável e gentil.
Que eu reconheça os momentos de distração sem julgamento.
Que eu fortaleça a presença.
Que eu fortaleça a consciência.
Que eu fortaleça a paz interior.
Que minha mente se torne uma morada de clareza.
Que meu coração se torne uma morada de compaixão.
Que todos os seres encontrem abrigo na sabedoria e na presença.

SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observar a respiração

ESCUTA
FRASE-SEMENTE
“Assim como a chuva não penetra em uma casa bem coberta, a paixão não penetra em uma mente bem cultivada.” 

COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
Veja que interessante...
Quando o Buddha fala de paixão neste verso, ele não está falando apenas de paixão amorosa.
Ele está falando de tudo aquilo que toma conta da mente e nos faz perder a liberdade.
Uma preocupação.
Um medo.
Um desejo.
Uma mágoa.
Uma necessidade de aprovação.
Qualquer coisa que passe a ocupar a mente de forma compulsiva.

E o ensinamento é muito bonito.
O Buddha não diz para lutar contra essas coisas.
Ele diz para cultivar a mente.
Porque uma mente cultivada possui espaço.
Possui clareza.
Possui presença.

E aquilo que antes dominava a mente já não encontra mais onde se instalar.
Assim como a chuva não entra numa casa bem cuidada, os apegos não dominam uma mente cultivada.

E aqui começamos a compreender algo muito importante.
Quando existe presença, existe escolha.
Quando existe escolha, existe liberdade.
Quando existe liberdade, existe paz.

MEDITAÇÃO / BHAVANA
Feche os olhos.
Sinta a respiração.
Não faça nada.
Apenas observe.
Talvez pensamentos apareçam.
Observe.
Talvez emoções apareçam.
Observe.
Talvez distrações apareçam.
Observe.
Sem lutar.
Sem seguir.
Sem rejeitar.
Apenas presente.

O Buddha nos diz que uma mente cultivada é como uma casa bem cuidada.
Neste momento, não tente mudar a mente.
Apenas cuide dela com sua atenção.
Respire.
Observe.
Permaneça.
E então...
silêncio.

Observe como a mente se move.
E observe que existe algo em você que apenas percebe.
Repouse nesse perceber.
Respire.
E novamente:
silêncio.

Não é preciso controlar a mente.
Não é preciso expulsar os pensamentos.
O cultivo começa quando aprendemos a estar presentes.
Apenas isso.
Apenas presente.
Silêncio.
Permaneça de 15 a 30 minutos.

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