Permaneça alguns instantes diante desta imagem, em silêncio.
Observe tudo aquilo que disputa sua atenção. Nem tudo o que chama sua atenção merece o seu coração.
Pergunte a si mesmo:
O que é realmente essencial para mim neste momento?
Às vezes, encontrar a essência não exige acrescentar nada à vida, mas simplesmente deixar para trás o que não é necessário.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Permita que o corpo encontre apoio na terra.
Feche os olhos.
Não faça nada por alguns instantes.
Apenas respire.
Sinta o ar entrando.
Sinta o ar saindo.
E eu gostaria de começar nossa prática de hoje de uma maneira um pouco diferente.
Imagine que você recebeu uma caixa.
Uma caixa muito bonita.
Uma caixa antiga.
Talvez feita de madeira.
Talvez ornamentada.
Talvez decorada com detalhes preciosos.
Você observa a caixa.
Admira a caixa.
Cuida da caixa.
Protege a caixa.
Passa anos cuidando da caixa.
E então, um dia, alguém pergunta:
"O que existe dentro dela?"
E você percebe algo surpreendente.
Você nunca abriu a caixa.
Respire profundamente.
Eu gosto muito dessa imagem porque ela se parece um pouco com a vida.
Muitas vezes gastamos anos cuidando da embalagem.
Da aparência.
Das preocupações.
Dos compromissos.
Dos excessos.
Dos detalhes.
E acabamos esquecendo de olhar para aquilo que realmente importa.
O Buddha fala justamente sobre isso nos versos de hoje.
Ele fala sobre uma das maiores dificuldades humanas.
A dificuldade de distinguir o essencial do supérfluo.
Aquilo que realmente nutre a vida.
E aquilo que apenas ocupa espaço.
Respire.
Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que podemos fazer.
O que realmente importa?
Permaneça alguns instantes apenas sentindo essa pergunta.
Sem responder.
Sem analisar.
Apenas sentindo.
ENSINAMENTO PROFUNDO
Eu gosto muito dos versos 11 e 12 porque eles falam de algo extremamente simples.
Mas ao mesmo tempo extremamente profundo.
O Buddha diz:
"Tomam o não essencial como essencial e o essencial como não essencial."
Veja que interessante.
Ele não está falando de pessoas más.
Não está falando de pessoas ignorantes.
Não está falando de pessoas sem inteligência.
Ele está falando de uma confusão.
Uma confusão que todos nós experimentamos.
Confundimos prioridade com urgência.
Confundimos prazer com felicidade.
Confundimos informação com sabedoria.
Confundimos atividade com realização.
Confundimos aparência com essência.
E pouco a pouco a vida vai sendo construída sobre essas confusões.
Respire profundamente.
Talvez você já tenha percebido algo parecido.
Às vezes passamos horas preocupados com algo.
Dias.
Semanas.
Meses.
E depois descobrimos que aquilo não era tão importante assim.
Enquanto isso, deixamos de dar atenção ao que realmente importava.
Uma conversa.
Um abraço.
Uma prática.
Uma respiração.
Um momento de presença.
O Buddha está nos convidando a olhar para isso.
Não para nos julgar.
Mas para despertar.
Eu entendo que esse ensinamento é especialmente importante no mundo moderno.
Porque vivemos numa época que constantemente tenta nos convencer de que tudo é importante.
Tudo exige atenção.
Tudo exige resposta.
Tudo exige reação.
Tudo exige posicionamento.
Tudo exige consumo.
Tudo exige urgência.
E então surge uma pergunta muito bonita:
Será que tudo isso é realmente essencial?
Respire.
Thich Nhat Hanh escreveu:
“A maioria das pessoas vive como se estivesse correndo para algum lugar, sem perceber que a vida já está acontecendo.”
— Peace Is Every Step
Eu gosto muito dessa frase.
Porque ela aponta exatamente para o problema.
Estamos tão ocupados correndo atrás da vida que muitas vezes deixamos de vivê-la.
O Buddha observou que o sofrimento nasce não apenas daquilo que fazemos.
Mas também daquilo que alimentamos na mente.
E aqui podemos começar a compreender algo muito importante.
Existe alimento físico.
Mas também existe alimento mental.
Aquilo que você vê.
Aquilo que você escuta.
Aquilo que você lê.
Aquilo que você repete internamente.
Tudo isso alimenta a mente.
E a pergunta é:
Esse alimento gera clareza ou gera confusão?
Gera liberdade ou gera apego?
Gera paz ou gera agitação?
Respire profundamente.
No Kum Nye aprendemos algo muito interessante.
Tarthang Tulku ensina que o excesso de estímulos produz uma espécie de endurecimento da sensibilidade.
Quanto mais consumimos sem consciência, menos sentimos.
Quanto mais acumulamos experiências superficiais, menos percebemos a profundidade da experiência presente.
Talvez você já tenha vivido isso.
Uma refeição sem atenção.
Uma conversa sem presença.
Uma caminhada sem percepção.
O corpo está lá.
Mas a consciência está em outro lugar.
E pouco a pouco a vida vai se tornando automática.
Veja que interessante.
O Buddha não está dizendo que o mundo é o problema.
Ele está dizendo que a falta de discernimento é o problema.
Porque duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação.
Uma desperta.
A outra se distrai.
Uma encontra sabedoria.
A outra encontra sofrimento.
A diferença está na qualidade da atenção.
Respire.
Nagarjuna escreveu:
“A ignorância é tomar como permanente aquilo que é impermanente.”
— ensinamento presente na tradição Madhyamaka
Eu acrescentaria:
Também é tomar como essencial aquilo que é passageiro.
E esquecer aquilo que realmente sustenta a vida.
Pare por um instante e observe.
O que ocupa sua mente atualmente?
Quais preocupações aparecem repetidamente?
Quais desejos?
Quais medos?
Quais projetos?
Agora faça uma pergunta simples:
Isso é essencial?
Ou apenas urgente?
Isso nutre sua consciência?
Ou apenas consome sua energia?
Respire.
O Caminho Óctuplo pode ser compreendido exatamente como uma resposta para essa questão.
O Buddha não oferece uma lista de regras.
Ele oferece uma reorganização da vida.
Uma reorganização das prioridades.
Ver corretamente.
Pensar corretamente.
Falar corretamente.
Agir corretamente.
Viver corretamente.
Praticar corretamente.
Meditar corretamente.
Despertar corretamente.
Tudo isso é um treinamento para reconhecer o essencial.
O Dalai Lama costuma dizer:
“O propósito da vida é ser feliz.”
Mas ele explica que felicidade não significa acumular experiências.
Significa desenvolver qualidades internas.
Bondade.
Compaixão.
Sabedoria.
Equilíbrio.
Essas coisas são essenciais.
Respire profundamente.
Eu gosto muito de uma pergunta que às vezes faço para mim mesmo.
Se eu tivesse que simplificar minha vida hoje, o que permaneceria?
Talvez essa pergunta também possa acompanhar você.
Se tudo aquilo que é secundário desaparecesse...
O que permaneceria?
Talvez permanecesse a respiração.
Talvez permanecesse o amor.
Talvez permanecesse a presença.
Talvez permanecesse a prática.
Talvez permanecesse a capacidade de estar aqui.
E talvez seja exatamente isso que o Buddha chama de essência.
HARMONIZAÇÃO
Lentamente movimente o corpo.
Sente-se.
Permita que a coluna cresça naturalmente.
Agora imagine que você está segurando uma mochila muito pesada.
Uma mochila cheia.
Cheia de compromissos.
Cheia de preocupações.
Cheia de informações.
Cheia de expectativas.
Cheia de excessos.
Sinta esse peso imaginário.
Agora imagine que lentamente você começa a retirar os objetos da mochila.
Um por um.
Aquilo que não é essencial.
Aquilo que não precisa ser carregado.
Aquilo que apenas ocupa espaço.
Respire.
A cada expiração, retire algo.
A cada inspiração, crie espaço.
Pouco a pouco a mochila fica leve.
Pouco a pouco a mente fica leve.
Pouco a pouco o coração fica leve.
Permaneça alguns instantes sentindo essa leveza.
PRECE
Que eu tenha sabedoria para reconhecer o essencial.
Que eu tenha coragem para abandonar o supérfluo.
Que minha mente encontre clareza.
Que meu coração encontre simplicidade.
Que minha vida seja guiada pela presença e não pela distração.
Que todos os seres encontrem discernimento, paz e liberdade.
SAMADHI
ANAPANA- SATI
Observar a respiração
ESCUTA
FRASE-SEMENTE
“Reconhecem o essencial como essencial e o não essencial como não essencial. Alimentando pensamentos corretos, alcançam a essência.”
COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
O Buddha está descrevendo o nascimento da sabedoria.
Sabedoria não é acumular conhecimento.
Sabedoria é aprender a distinguir.
Distinguir aquilo que liberta daquilo que aprisiona.
Aquilo que nutre daquilo que consome.
Aquilo que desperta daquilo que distrai.
Quando essa capacidade amadurece, a vida naturalmente se simplifica.
Não porque nos tornamos pobres.
Mas porque nos tornamos claros.
MEDITAÇÃO / BHAVANA
Feche os olhos.
Sinta a respiração.
Natural.
Suave.
Agora imagine sua mente como um grande espaço.
Talvez esse espaço esteja cheio.
Cheio de pensamentos.
Projetos.
Lembranças.
Preocupações.
Observe.
Sem julgamento.
Agora imagine que você abre as janelas desse espaço.
Uma brisa suave entra.
E pouco a pouco aquilo que não é necessário começa a se dissolver.
As preocupações excessivas.
As comparações.
As cobranças.
Os ruídos.
Permaneça respirando.
Criando espaço.
Agora pergunte silenciosamente:
O que é verdadeiramente essencial para minha vida?
Não procure uma resposta intelectual.
Permita que o coração responda.
Permaneça ouvindo entre 15 e 30 minutos.
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