Palavras precisam de perfume


CONTEMPLAÇÃO DA IMAGEM

Permaneça alguns instantes diante desta imagem, em silêncio.

Observe as flores e perceba a diferença entre ter beleza e oferecer perfume. Assim também são nossas palavras: podem ser bonitas, sábias e inspiradoras, mas ganham verdadeiro valor quando encontram expressão em nossas ações.

Pergunte a si mesmo:
Minhas palavras têm o perfume das minhas atitudes?

Que aquilo que dizemos possa florescer na maneira como vivemos.

INTRODUÇÃO AO TEMA
Deite-se confortavelmente.
Feche os olhos.
Deixe o corpo repousar.

Imagine uma flor muito bonita.
Ela tem uma cor intensa.
Uma forma delicada.
É agradável de olhar.

Agora imagine que você se aproxima.
Mas não sente nenhum perfume.

A flor é bonita.
Mas falta alguma coisa.

Agora imagine outra flor.
Também bonita.
Mas, quando você se aproxima, existe perfume.
A beleza está acompanhada de alguma coisa que você pode sentir.

Hoje vamos olhar para nossas próprias palavras dessa maneira.
Não apenas para aquilo que dizemos.
Mas para aquilo que nossas palavras produzem na nossa maneira de viver.

ENSINAMENTO
Esses dois versos fazem uma comparação muito simples.
Uma flor pode ser bonita e não ter perfume.
E uma flor pode ser bonita e ter perfume.

O Buddha usa essa imagem para falar das nossas palavras.
Podemos falar coisas muito bonitas.
Podemos conhecer ensinamentos.
Podemos saber explicar.
Podemos dizer aquilo que parece correto.
Mas existe uma pergunta importante:
Nossa vida tem o perfume dessas palavras?

Porque é muito fácil falar sobre aquilo que gostaríamos de ser.
Mais difícil é perceber se estamos vivendo de acordo com aquilo que dizemos.

Podemos falar de paciência e ficar irritados com qualquer coisa.
Falar de compaixão e tratar alguém com dureza.
Falar de presença e viver o dia inteiro distraídos.
Falar de cuidado e não cuidar nem de nós mesmos.

Isso não significa que precisamos ser perfeitos antes de falar sobre alguma coisa.
Não é isso.
Estamos todos aprendendo.

A questão é outra.
Existe uma diferença entre falar de uma qualidade que estamos tentando cultivar e usar palavras bonitas para parecer que já somos aquilo que ainda não somos.

O segundo verso apresenta a outra flor.
A flor que tem cor e perfume.
As palavras estão acompanhadas pela ação.

E aqui aparece uma coisa muito bonita:
o perfume não precisa ser anunciado.
Você não precisa dizer:
"Olhem como esta flor é perfumada."
Você simplesmente sente.

Talvez seja assim também com uma pessoa coerente.
Ela não precisa ficar dizendo que é paciente.
Você percebe.
Ela não precisa falar o tempo inteiro sobre generosidade.
Você percebe.
Ela não precisa anunciar sua serenidade.
Você sente a maneira como ela chega, fala e age.

A coerência tem esse perfume.

E isso vale muito para nossa prática de Yoga.
Podemos fazer uma postura perfeita e, ao mesmo tempo, estar completamente desconectados daquilo que estamos fazendo.
O corpo está numa posição.
A mente está em outro lugar.

Então hoje vamos experimentar uma coisa diferente.
Vamos fazer com que a intenção e o movimento caminhem juntos.
Se a intenção é suavidade, o corpo pratica suavidade.
Se a intenção é estabilidade, percebemos estabilidade.
Se a intenção é presença, permanecemos presentes.

Não basta colocar o corpo numa postura.
Precisamos estar na postura.

E talvez essa seja uma boa maneira de levar o ensinamento para fora do tapete.
Antes de falar alguma coisa, podemos perguntar:
"Eu consigo colocar isso em prática?"
Se ainda não conseguimos, tudo bem.
Podemos dizer:
"Estou aprendendo."
Isso é muito mais verdadeiro do que fingir que já chegamos.

A flor não precisa fingir que tem perfume.
Ela simplesmente tem.

Talvez seja isso que o Buddha esteja nos ensinando:
não precisamos construir uma aparência de virtude.
Precisamos cultivar a virtude até que ela apareça naturalmente nas nossas ações.

Hoje vamos praticar essa passagem:
da intenção para a experiência.
Da palavra para o corpo.
Da ideia para a ação.

E talvez, aos poucos, nossas palavras também possam ganhar perfume.

HARMONIZAÇÃO
Sente-se lentamente.
Alongue a coluna.
Deixe as mãos repousarem sobre as pernas.
Feche os olhos.

Perceba a posição do corpo.
Agora perceba a intenção.
Por que estamos aqui?

Não precisamos responder com palavras.
Apenas perceba.

Permita que aquilo que você pretende cultivar hoje apareça também na maneira como você respira.

PRECE
Que nossas palavras possam encontrar nossas ações.
Que aquilo que compreendemos possa transformar nossa maneira de viver.
Que nossa prática seja verdadeira.
E que nossas palavras possam levar o perfume daquilo que cultivamos.

SAMADHI
ĀNĀPĀNA-SATI
Feche os olhos.
Hoje vamos observar a relação entre intenção e respiração.
Antes de inspirar, perceba o instante em que surge naturalmente o impulso para inspirar.
Então permita que a inspiração aconteça.

Antes da expiração, perceba novamente o início do movimento.
E permita que aconteça.

Não estamos comandando a respiração.
Estamos percebendo sua continuidade.

Intenção.
Movimento.
Experiência.

Observe.
Sem forçar.

ESCUTA
FRASE-SEMENTE
Que minhas palavras tenham o perfume das minhas ações.

COMPREENSÃO DA FRASE-SEMENTE
A frase não pede que sejamos perfeitos.
Ela pede coerência.

Se digo que quero cultivar paciência, posso observar como ajo quando sou contrariado.
Se digo que quero cultivar presença, posso observar como estou vivendo este momento.

A prática é perceber se existe uma distância entre aquilo que digo e aquilo que faço.
E, quando perceber essa distância, não preciso me condenar.
Posso simplesmente aproximar um pouco mais as duas coisas.

Palavra.
Intenção.
Ação.

MEDITAÇÃO / BHĀVANĀ
Permaneça sentado.
Feche os olhos.
Sinta a respiração.

Traga à mente uma qualidade que você gostaria de cultivar.
Pode ser paciência.
Gentileza.
Presença.
Coragem.

Agora não pense em como falar sobre essa qualidade.
Imagine como seria agir a partir dela.

Como seu corpo estaria?
Como sua voz estaria?
Como você trataria alguém?

Respire.
E repita:
Que minhas palavras tenham o perfume das minhas ações.
(Pausa.)
Mais uma vez:
Que minhas palavras tenham o perfume das minhas ações.

Agora deixe a frase desaparecer.
Permaneça alguns instantes sentindo a qualidade escolhida.
Sem explicar.
Sem pensar.
Apenas experimentando.

Quando sentir que é o momento, aprofunde a respiração.
E prepare-se para a prática.

MENSAGEM FINAL
Não precisamos ser perfeitos para viver com coerência.
Estamos aprendendo.

Mas podemos prestar atenção na distância entre aquilo que dizemos e aquilo que fazemos.
E, quando percebermos essa distância, podemos dar um pequeno passo para aproximá-los.

Que nossas palavras sejam bonitas.
Mas que tenham perfume.
Que aquilo que falamos possa ser reconhecido também na maneira como vivemos.

REFLEXÃO
Existe alguma qualidade que eu digo valorizar, mas que ainda aparece pouco nas minhas ações?
Escreva no seu caderno com honestidade, sem se julgar.

EXERCÍCIO DA SEMANA
Escolha uma qualidade que você costuma falar que considera importante.
Pode ser paciência, gentileza, presença, generosidade ou outra.
Durante esta semana, todos os dias, escolha uma pequena ação concreta que expresse essa qualidade.
No final do dia, pergunte:
"Hoje minhas ações deram perfume às minhas palavras?"
Não procure uma resposta perfeita.
Observe.

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