CONTEMPLAÇÃO DA IMAGEM
Permaneça alguns instantes diante desta imagem, sem pressa.
Observe o contraste entre a tempestade e a serenidade. A mente, quando não é compreendida, muda de direção a todo instante, deixa-se levar pelos impulsos, pelos medos, pelos desejos e pelas distrações. Ela se torna difícil de guardar e difícil de conduzir.
Agora volte o olhar para o arqueiro.
Antes de lançar a flecha, ele não luta contra ela. Com paciência, firmeza e sensibilidade, ele a observa, corrige sua curvatura e a prepara para seguir um caminho reto.
Assim também é o treinamento da mente.
Não se trata de dominá-la pela força, mas de educá-la com presença, vigilância e perseverança.
Enquanto contempla esta imagem, pergunte a si mesmo:
Em que direção minha mente tem apontado?
Que este ensinamento desperte em você a disposição de treinar a mente, dia após dia, até que ela se torne um instrumento de clareza, liberdade e paz.
DHAMMAPADA – CAPÍTULO 3
CITTAVAGGA
Verso 33
"A mente instável, inconstante, difícil de guardar, difícil de controlar — o sábio a endireita, como o arqueiro endireita sua flecha."
Tema da aula
A arte de educar a mente
Ideia central
A mente não nasce pronta.
Assim como o arqueiro molda sua flecha lentamente, o praticante aprende a educar sua mente com paciência, presença e constância.
INTRODUÇÃO AO TEMA
Sente-se na postura tradicional do sentar.
Feche suavemente os olhos.
Imagine que você está caminhando por uma antiga floresta, ainda nas primeiras horas da manhã.
O ar é fresco.
Tudo está em silêncio.
Ao longe, você percebe um velho artesão sentado diante de um pequeno banco de madeira.
Em suas mãos há uma flecha.
Ele não demonstra pressa.
Observa.
Aquece a madeira.
Faz um pequeno ajuste.
Olha novamente.
Corrige mais um pouco.
Cada movimento é delicado.
Nenhum gesto é feito com violência.
Nenhum gesto é feito por impaciência.
Você permanece apenas observando.
Até perceber que aquele artesão não está apenas construindo uma flecha.
Ele está ensinando uma forma de viver.
(Pausa)
Hoje, durante nossa prática, talvez descubramos que nossa mente também pode ser educada dessa maneira.
Sem dureza.
Sem pressa.
Com presença.
ENSINAMENTO
Hoje iniciamos um novo capítulo do Dhammapada.
Depois de falar sobre a vigilância, o Buddha dirige nosso olhar para aquilo que precisa ser educado para que a vigilância seja possível: a mente.
E gosto muito da maneira como ele começa.
Ele não faz uma crítica.
Ele não diz que nossa mente deveria ser diferente.
Ele simplesmente descreve aquilo que todos nós conhecemos.
A mente é instável.
Ela muda de direção.
Enquanto estamos aqui, talvez uma parte de nós ainda esteja pensando no trabalho, em alguém da família, em uma conversa que aconteceu ontem ou em algo que ainda nem aconteceu.
Isso faz parte da experiência humana.
Talvez um dos maiores equívocos de quem começa a meditar seja imaginar que praticar significa nunca mais se distrair.
Mas não é isso que o Buddha está ensinando.
Ele não espera uma mente perfeita.
Ele nos convida a desenvolver uma relação diferente com ela.
E então surge uma imagem muito bonita.
A imagem do arqueiro.
Na época do Buddha, uma boa flecha não surgia pronta.
Ela precisava ser cuidadosamente trabalhada.
Pequenos ajustes.
Muitas observações.
Muito tempo.
Imagine se o arqueiro ficasse irritado cada vez que percebesse uma imperfeição na madeira.
Provavelmente nunca terminaria sua flecha.
Nós fazemos isso conosco o tempo todo.
Percebemos uma distração e pensamos:
"Minha mente é muito agitada."
Percebemos um pensamento difícil e concluímos:
"Eu não consigo meditar."
Mas talvez esse seja justamente o momento em que a prática começa.
Porque somente quem percebe que a flecha está torta pode começar a alinhá-la.
Somente quem percebe que a mente se afastou pode trazê-la de volta.
Veja que interessante.
O Buddha não fala em vencer a mente.
Ele fala em endireitá-la.
Existe uma enorme diferença.
Quando tentamos vencer alguma coisa, normalmente entramos em conflito.
Quando procuramos educar, desenvolvemos paciência.
E toda aprendizagem precisa de repetição.
Foi assim quando aprendemos a caminhar.
Foi assim quando aprendemos a escrever.
Foi assim quando aprendemos qualquer habilidade importante da vida.
Por que seria diferente com a mente?
Talvez a prática de hoje seja apenas isso.
Não buscar uma postura perfeita.
Não buscar uma respiração perfeita.
Não buscar uma meditação perfeita.
Mas aprender a retornar.
Sempre que percebermos que a atenção se perdeu...
voltamos.
Sempre que percebermos ansiedade...
voltamos.
Sempre que percebermos impaciência...
voltamos.
Esse retorno não significa fracasso.
Esse retorno é o treinamento.
Talvez seja exatamente isso que o Buddha queira nos ensinar.
A mente não nasce pronta.
Mas ela pode aprender.
E toda vez que voltamos ao momento presente, estamos moldando nossa própria flecha.
Pouco a pouco.
Respiração após respiração.
Prática após prática.
SAMADHI
ANAPANA-SATI
Observando o retorno da respiração
Hoje não vamos controlar a respiração.
Também não vamos modificá-la.
Vamos apenas perceber um detalhe muito simples.
A inspiração chega.
A expiração parte.
Entre uma e outra existe um retorno constante.
Sempre que perceber que a mente se afastou, não lute contra ela.
Apenas reconheça esse momento e acompanhe a próxima inspiração até o fim.
Depois acompanhe a próxima expiração.
Não importa quantas vezes isso aconteça.
Cada retorno é parte da prática.
ESCUTA / FRASE SEMENTE
"Assim como o arqueiro endireita sua flecha, eu educo minha mente com paciência."
COMPREENSÃO DA FRASE SEMENTE
Perceba que a frase não diz:
"Eu obrigo minha mente."
Nem diz:
"Eu preciso controlar meus pensamentos."
Ela fala em educar.
Educar significa voltar.
Corrigir sem violência.
Aprender com constância.
Durante a meditação, talvez muitos pensamentos apareçam.
Não há necessidade de afastá-los.
Sempre que perceber que foi levado por eles, recorde silenciosamente a frase.
"Assim como o arqueiro endireita sua flecha, eu educo minha mente com paciência."
E simplesmente volte à respiração.
Sem culpa.
Sem impaciência.
Apenas volte.
BHAVANA / MEDITAÇÃO
Permaneça sentado de forma confortável.
Deixe que a respiração encontre seu próprio ritmo.
Enquanto inspira...
perceba que uma nova oportunidade começa.
Enquanto expira...
permita que o corpo relaxe um pouco mais.
Talvez um pensamento apareça.
Observe-o.
Talvez outro pensamento venha.
Observe também.
Não há necessidade de segui-los.
Sempre que perceber que a mente foi embora...
retorne.
Retorne à respiração.
Retorne ao corpo.
Retorne ao instante presente.
E, de tempos em tempos, deixe que a frase ecoe silenciosamente em seu coração:
"Assim como o arqueiro endireita sua flecha, eu educo minha mente com paciência."
Permaneça de 15 a 30 minutos em estado meditativo.
Permaneça de 15 a 30 minutos em estado meditativo.
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